Rio de Janeiro, 14 de Agosto de 2026

Hollande diz que ataque em Nice foi claramente terrorista

O presidente François Hollande afirmou na madrugada desta sexta-feira, em Paris, que "o caráter terrorista"

Sexta, 15 de Julho de 2016 às 07:44, por: CdB

Caráter terrorista do atentado não pode ser negado, afirma o presidente francês, que prorroga o estado de emergência no país por mais três meses poucas horas depois de ter anunciado seu fim

Por Redação, com DW - de Paris:   O presidente François Hollande afirmou na madrugada desta sexta-feira, em Paris, que "o caráter terrorista" do ataque com um caminhão em Nice "não pode ser negado". Em curto pronunciamento na televisão, o chefe de Estado disse ainda que vai prorrogar por mais três meses o estado de emergência que vigora na França desde os atentados de 13 de Novembro.
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O presidente François Hollande afirmou em Paris, que "o caráter terrorista"
Ainda à tarde, ele havia dito que o estado de emergência iria terminar no próximo dia 26 de julho, depois de já ter sido prorrogado três vezes pelo Parlamento. – A França como um todo está sendo atacada pelo terrorismo islâmico – afirmou Hollande. "Vamos mostrar a mais absoluta vigilância e determinação. Temos de fazer de tudo para lutar contra o flagelo do terrorismo." O presidente afirmou que 77 pessoas morreram no ataque em Nice, incluindo crianças, e que há cerca de 20 pessoas em estado crítico. O motorista foi morto e ainda não foi indentificado, disse. Também não está claro se ele tinha cúmplices, acrescentou Hollande. Por volta das 22h30 (horário local), um caminhão avançou sobre uma multidão que acompanhava uma queima de fogos de artifício na famosa Promenade des Anglais, em Nice, no sul da França. Autoridades confirmaram 77 mortes.

Momentos de pânico

Testemunhas relatam momentos de caos e terror. O jornalista Damien Allemand, do Nice Matin, reportou que a queima de fogos estava no fim e que os espectadores estavam deixando o local quando ouviram o barulho do caminhão e gritos. "Uma fração de segundos depois, um enorme caminhão branco avançou a uma grande velocidade, tentando atingir o maior número possível de pessoas", afirmou. "Vi corpos voando como se fossem pinos de boliche." O repórter da agência de notícias AFP Robert Holloway, que participava da celebração na famosa avenida à beira-mar Promenade des Anglais, também contou ter ouvido muitos gritos e visto corpos e destroços serem lançados no ar enquanto o veículo avançava. "Foi o caos absoluto", disse ele. – Um caminhão daquele tamanho entrar pela 'promenade' e seguir mais ou menos em linha reta parece-me um ato deliberado – afirmou o jornalista, acrescentando que teve apenas "alguns segundos para sair da frente" quando viu o veículo surgir a 100 metros de distância dele. Wassim Bouhlel, um morador de Nice que conversou com a agência de notícias AP, disse ter visto o caminhão avançar sobre a multidão. "Havia uma carnificina na avenida. Corpos por todo lado." Horas após o ataque, que está sendo investigado como um possível ato terrorista, autoridades locais afirmaram que o caminhão avançou sobre a população por cerca de 2 quilômetros e que 80 pessoas morreram e 18 ficaram feridas em estado grave. Roy Calley, que vive a cerca de 200 metros do local, classificou o ataque como um "pandemônio". "As pessoas estavam se divertindo. De repente, ouvi um estrondo gigantesco, como uma explosão ou uma colisão. Muitas pessoas gritavam e acredito que ouvi tiros a seguir", disse ele à emissora BBC. Outras testemunhas também relataram ter ouvido tiros. O deputado francês Éric Ciotti afirmou que os policiais mataram o motorista do caminhão "aparentemente após uma troca de tiros".

"Muita confusão"

A australiana Emily Watkins contou à emissora Australian Broadcasting Corporation que estava a 50 metros do local do ataque e que "havia muita confusão". "As pessoas tropeçavam e tentavam entrar nos hotéis, restaurantes, estacionamentos ou em qualquer lado onde pudessem fugir da rua", disse. – A cada estrondo que ouvíamos atrás de nós, as pessoas começavam a correr mais depressa. Foi uma cena muito caótica – acrescentou David Cody, também australiano. A americana Kayla Repan, por sua vez, disse que "a cidade inteira estava correndo". "Eu estava extremamente assustada. Foi um caos."
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