Haval H6 ocupa a segunda posição em emplacamentos enquanto evolução do GT mostra como eletrificação e biocombustível passam a conviver
Por Sérgio Dias – de São Paulo
A disputa entre os SUVs médios no Brasil passou a reunir diferentes caminhos para reduzir o consumo de combustível e incorporar a eletrificação. Modelos híbridos convencionais, híbridos plug-in e veículos movidos somente por motores a combustão dividem o mesmo mercado, enquanto fabricantes também começam a combinar eletrificação e biocombustíveis. O GWM Haval H6 ajuda a mostrar essa transformação e ocupa atualmente a segunda posição nos emplacamentos do segmento.

De janeiro a agosto de 2026, a família H6 registrou 31.966 unidades, atrás do Jeep Compass, com 36.437. BYD Song Pro aparece em terceiro, com 26.250, enquanto Toyota Corolla Cross soma 25.566. O resultado coloca no mesmo grupo modelos que utilizam estratégias distintas de propulsão e mostra como os híbridos passaram a disputar diretamente uma parcela do mercado antes concentrada em veículos com motores a combustão.
É nesse contexto que se insere o Haval H6 GT que avaliei. O veículo pertence à linha 2026, formada por HEV2, PHEV19, PHEV35 e GT. Nesta última configuração, o sistema híbrido plug-in Hi4 combina motor 1.5 turbo a gasolina com dois motores elétricos, um em cada eixo. O conjunto entrega 393 cv e 772 Nm, utiliza bateria de 35 kWh, tem tração integral e oferece 119 quilômetros de autonomia elétrica homologada pelo Inmetro.
Mudança já começou
Existe, porém, uma transição acontecendo enquanto esta avaliação é publicada. A GWM comercializa desde junho a linha 2027, e os números atuais de emplacamentos já incluem os veículos atualizados. A nova gama passou a aceitar gasolina e etanol em todas as versões, incorporando o combustível produzido no Brasil à estratégia de eletrificação da marca.

No GT 2027 permanecem os 393 cv, a bateria de 35 kWh, dois motores elétricos, tração integral variável e equipamentos introduzidos anteriormente, como a central multimídia de 14,6 polegadas com Coffee OS 3. A evolução acrescentou transmissão DHT de quatro marchas e elevou a autonomia elétrica homologada pelo Inmetro para 126 quilômetros.
Minha experiência, no entanto, foi realizada integralmente com o GT 2026. Comecei pelas atividades cotidianas em São Paulo, entre congestionamentos, avenidas, estacionamentos e deslocamentos curtos. Depois ampliei o percurso pelas rodovias paulistas, passando por Campinas e Itatiba. A combinação permitiu observar como um sistema híbrido plug-in se adapta a dois cenários distintos de utilização.
Eletricidade na rotina
Na cidade, aproveitei principalmente a energia armazenada na bateria. Os 119 quilômetros de autonomia elétrica homologada permitem realizar parte dos deslocamentos sem recorrer continuamente ao motor a combustão. O gerenciamento dos três motores considera carga da bateria, solicitação do acelerador e modo de condução, fazendo com que a participação de cada fonte de energia varie ao longo do percurso.

Essa possibilidade ajuda a compreender uma das funções do híbrido plug-in. Quem dispõe de recarga pode concentrar parte da rotina urbana na eletricidade sem depender exclusivamente dela quando precisa viajar. O motor a combustão continua disponível quando a distância ultrapassa a capacidade da bateria, eliminando a necessidade de organizar todo o percurso rodoviário em função de carregadores.
A cabine também participou dessa utilização. O modelo 2026 trouxe central multimídia de 14,6 polegadas com Coffee OS 3, Apple CarPlay e Android Auto sem fio, painel de instrumentos de 10,25 polegadas e carregador por indução de 50 W. No GT, acabamento interno preto, detalhes em camurça e identificações próprias separam a configuração das demais versões.
Estrada muda demanda
Quando deixei São Paulo em direção a Campinas e Itatiba, os 393 cv e 772 Nm passaram a participar de forma mais frequente da condução. Nas retomadas e ultrapassagens, o sistema utiliza a combinação entre motor a combustão e unidades elétricas conforme a demanda. A tração integral variável distribui a atuação entre os eixos, enquanto as suspensões independentes McPherson, na dianteira, e multilink, na traseira, administram as mudanças de direção.
Foi também na estrada que percebi com maior clareza a dupla função da tecnologia plug-in. O GT pode realizar deslocamentos utilizando prioritariamente eletricidade e continuar uma viagem com o apoio do motor 1.5 turbo quando a energia armazenada diminui. Para mim, essa solução reduz a necessidade de planejar percursos maiores exclusivamente em função da infraestrutura de recarga.
A experiência também permite observar como a transição tecnológica do setor automobilístico brasileiro pode assumir características próprias. Em vez de representar necessariamente uma passagem direta do motor a combustão para o elétrico, a linha H6 2027 passou a combinar bateria, motores elétricos, gasolina e etanol. A mudança incorpora o biocombustível a uma arquitetura que já utilizava eletrificação.
Uma etapa seguinte
Depois de dirigir o H6 GT entre São Paulo, Campinas e Itatiba, considero necessário separar aquilo que experimentei daquilo que a GWM já alterou. Minha avaliação corresponde ao 2026, que utiliza gasolina quando o motor a combustão entra em funcionamento. O 2027 representa a etapa seguinte, com tecnologia flex, nova transmissão e autonomia elétrica ampliada para 126 quilômetros pelo Inmetro.
Ao concluir a avaliação, três pontos ficaram em evidência. O primeiro é o sistema híbrido plug-in de 393 cv e 772 Nm, principalmente nas retomadas. O segundo é a autonomia elétrica de 119 quilômetros do modelo 2026, que permite concentrar parte da rotina urbana na bateria. O terceiro é a combinação entre tração integral e funcionamento híbrido na passagem da cidade para a rodovia. Como ponto que poderia avançar no veículo avaliado, considero a possibilidade de utilizar etanol no motor a combustão. A própria evolução do produto já responde a essa questão: o Haval H6 GT 2027 passou a ser flex. Minha próxima experiência com a linha poderá mostrar como essa mudança interfere, na prática, na relação entre eletrificação, biocombustível e utilização cotidiana.