Rio de Janeiro, 15 de Agosto de 2026

Frio é responsável por aumento nos números de infarto, alerta INC

Nos dias mais frios, os índices de infarto podem aumentar em até 30%, principalmente quando a temperatura está abaixo dos 14 graus.

Segunda, 04 de Julho de 2016 às 07:53, por: CdB

Apesar de nem todas as regiões do Brasil registrarem baixas temperaturas durante o inverno, o cardiologista alerta que é necessário manter o corpo aquecido

  Por Redação, com agências de notícias - do Rio de Janeiro/São Paulo:   O inverno chegou e, para a surpresa de muitos, com baixas temperaturas. Mas, apesar da estação agradar muitas pessoas, é essencial ficar atento à saúde. Nos dias mais frios, os índices de infarto podem aumentar em até 30%, principalmente quando a temperatura está abaixo dos 14 graus. Pacientes com idade entre 75 e 84 anos e aqueles com doença coronariana são os mais vulneráveis aos efeitos da baixa temperatura.
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Além de nos deixar sem saber o que vestir, a alternância entre dias frios e quentes tem efeito sobre o organismo, que vão da imunidade a problemas cardíacos
O coordenador médico do departamento de coronariopatia do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), Felipe Pittella, explica que a exposição ao tempo frio faz aumentar a viscosidade sanguínea, a pressão arterial e as concentrações de fibrinogênio, fatores trombogênicos que dificultam a passagem do sangue pelas artérias coronárias e podem levar ao infarto agudo do miocárdio. – As pessoas com fatores de risco, como colesterol elevado, tabagismo e obesidade, devem evitar mudanças bruscas da temperatura, principalmente do quente para o frio, pois essa mudança súbita pode agravar sintomas de angina e aumentar o risco de infarto e acidente vascular cerebral. Apesar de nem todas as regiões do Brasil registrarem baixas temperaturas durante o inverno, o cardiologista alerta que é necessário manter o corpo aquecido. – O frio prejudica principalmente aqueles que já têm alguma doença cardíaca, mas pode afetar aqueles que não têm ou que ainda não sabem que possuem alguma enfermidade no coração. Por isso é importante que as pessoas, principalmente as idosas, vistam roupas adequadas às temperaturas mais reduzidas ou mantenham suas residências aquecidas.

Problemas respiratórios e cardíacos

Para as pessoas que já sofrem de doenças respiratórias, a mudança brusca de temperatura é particularmente perigosa, com problemas como asma e rinite podendo se agravar. Num estudo, pesquisadores da Universidade de São Paulo testaram a influência de mudanças bruscas de temperatura em pacientes com e sem rinite alérgica crônica. Eles foram colocados, em sessões alternadas de 30 minutos cada, numa câmara a 14°C e em outra a 26°C. Os resultados apontaram que quem sofre de rinite alérgica tem mais chance de desenvolver sintomas respiratórios e oculares quando exposto a alterações repentinas de temperatura. Os pacientes com a doença relataram coceira e ardor nos olhos, além de falta de ar. A oscilação dos termômetros foi simulada com ar condicionado. Segundo Carlos Carvalho, professor de Pneumologia do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, as vias aéreas são preparadas para permanecer numa temperatura constante. Por isso, mudanças bruscas de temperatura podem gerar irritação, mesmo em quem não sofre de asma e rinite, disse em entrevista a Drauzio Varella. Em períodos marcados por mudanças de temperatura e dias secos de inverno, é essencial beber bastante água para ajudar a manter úmido o muco que protege as vias respiratórias. Além disso, é recomendável tomar vacina contra gripe, se alimentar e dormir bem, se agasalhar e deixar o ar circular em locais fechados. Mudanças bruscas de temperatura também podem provocar problemas cardíacos. Quando a oscilação de temperatura é do frio para o quente, o sangue fica mais espesso, e as artérias, contraídas, e a pressão tende a cair, aponta Max Grinberg, professor do Hospital das Clínicas da USP. Assim, é necessario mais esforço para bombear o sangue pelo corpo. Já quando a alteração repentina é do quente para o frio, a pressão aumenta, e pode ocorrer uma crise hipertensiva. Pessoas com problemas cardíacos são, portanto, mais suscetíveis a mudanças de temperaturas.
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