A França se prepara para manifestações nacionais neste sábado, reunindo a volta dos “coletes amarelos” e atos estudantis contra a inflação e a crise educacional.
Por Redação, com RFI – de Paris
A França vive a expectativa de uma nova jornada de mobilização neste sábado, enquanto bloqueios ainda afetam escolas e universidades do país nesta sexta-feira. O protesto contra o aumento do custo de vida, convocado pelos “coletes amarelos”, contará com a participação de diversas categorias de trabalhadores e do movimento estudantil francês, que se manifesta há várias semanas.

Segundo estimativas das autoridades, entre 70 mil e 140 mil pessoas devem participar dos protestos neste sábado em todo o país. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, autorizou nesta sexta-feira o uso de granadas de efeito moral em caso de “violência urbana extremamente grave”. A utilização do equipamento havia sido suspensa depois que um estudante de 15 anos teve a mão arrancada, há dez dias, durante um protesto estudantil na cidade de Lens.
O ministro afirmou que as instruções às forças de segurança são claras e que os policiais poderão utilizar todos os equipamentos à sua disposição. Ele ressaltou, porém, que as granadas de efeito moral não são usadas quando as manifestações ocorrem sem incidentes.
Os “coletes amarelos” convocaram cerca de mil ações contra o aumento do custo de vida para este sábado. As principais organizações estudantis e juvenis, mobilizadas desde meados de setembro por melhores condições de ensino e contra a plataforma de acesso ao ensino superior Parcoursup, convocaram seus apoiadores a se juntar ao movimento.
Segundo Laurent Nuñez, cerca de 250 manifestações e 80 cortejos devem ser autorizados, além de mais de 40 atos já declarados às autoridades. Também estão previstas concentrações espontâneas e bloqueios.
“Coletes amarelos”
Dezenas de escolas de ensino médio e universidades permanecem bloqueadas nesta sexta-feira. Às vésperas de duas semanas de férias escolares, estudantes secundaristas mantêm a mobilização e consideram o protesto de sábado como uma oportunidade de ampliar o movimento ao lado dos “coletes amarelos”.
A imprensa francesa vê uma aproximação entre os diferentes movimentos e um aumento da mobilização. Segundo o jornal Le Parisien, a maior manifestação deve ocorrer em Paris, a partir do início da tarde de sábado, com concentração na Praça da República. O trajeto ainda será definido pela Secretaria de Segurança Pública.
O diário destaca que o ministro do Interior, Laurent Nuñez, teme distúrbios à margem da manifestação parisiense e de outras grandes cidades. Por isso, mobilizou os diretores-gerais da Polícia Nacional, os serviços de inteligência e o secretário de Segurança Pública da capital francesa.
O site da emissora Franceinfo salienta que, desde setembro, multiplicam-se nas redes sociais os apelos para o protesto deste sábado. A insatisfação social ganhou força com a alta dos combustíveis e da inflação e, mais recentemente, com os protestos em escolas e universidades.
O jornal Le Monde afirma que, enquanto as negociações entre os estudantes e o governo seguem sem avanços, os protestos ganham força em diferentes regiões do país e cresce o descontentamento da população francesa. Diante da falta de respostas do Executivo, os jovens vão aderir à mobilização do movimento dos coletes amarelos, que sacudiu a França entre 2018 e 2019.
“Quanto mais o movimento se prolonga, mais difícil se torna encontrar uma saída para a crise”, afirma a reportagem. Para o Le Monde, diante dessa mobilização inédita em décadas, o governo oscila entre o diálogo e a rigidez.
Na quinta-feira, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu declarou que os protestos estudantis estão se transformando em um movimento de “violências urbanas”. No mesmo dia, o ministro da Educação, Edouard Geffray, recebeu, pela terceira vez, líderes de organizações de alunos do ensino médio.