As universidades, que antes podiam conceder isenções de mensalidades a esses estudantes, terão sua margem de manobra reduzida gradualmente para 20% até setembro de 2028.
Por Redação, com RFI – de Paris
Estudar na França agora custará bem mais caro para os estudantes de fora da União Europeia. Um decreto publicado pelo Ministério da Educação Superior francês na quarta-feira determina que o preço das mensalidades a partir do próximo ano letivo será bastante superior para a maioria dos universitários não europeus.

A alta impressiona: chegará a 2.895 euros por ano para um curso de graduação, quase 17 vezes mais do que o valor cobrado atualmente, de 178 euros. Nos cursos de mestrado, os valores passarão de 254 para 3.941 euros.
A mudança faz parte de um novo plano do governo francês, chamado “Choose France for Higher Education”, anunciado em 20 de abril. O ministro Philippe Baptiste indicou a sua intenção de aplicar mensalidades diferenciadas para estudantes de fora da União Europeia em universidades públicas francesas, uma medida que existe desde 2019, mas que vinha sendo ignorada até agora.
As universidades, que antes podiam conceder isenções de mensalidades a esses estudantes, terão sua margem de manobra reduzida gradualmente para 20% até setembro de 2028. Apenas os estudantes já matriculados em um curso de graduação poderão manter as tarifas atuais.
‘Alto potencial’
O governo defende a medida como uma questão de reequilíbrio financeiro, argumentando que o aumento das anuidades reforçaria o valor simbólico dos diplomas franceses e atrairia estudantes considerados de elevado potencial ou com recursos suficientes, seguindo um modelo semelhante ao de países anglo-saxões. “A França precisa de estudantes estrangeiros e deve continuar a se abrir, buscando ativamente os perfis de que mais necessita”, respondeu o ministro Philippe Baptiste em comunicado enviado à agência francesa de notícias Agence France-Presse (AFP).
Em contrapartida, a França promete facilitar a obtenção de vistos de trabalho após os estudos. Em conjunto com o ministro do Interior, Laurent Núñez, ele também lançou uma força-tarefa “relacionada ao combate à violação dos direitos dos estudantes internacionais que desejam permanecer na França após a conclusão dos estudos”. O objetivo é propor “soluções operacionais” para o início do ano letivo de 2026, “a fim de facilitar a vida dos estudantes internacionais que desejam seguir carreira na França”.
– Quando formamos excelentes estudantes internacionais e esses estudantes querem ficar e trabalhar na França, não podemos nos dar ao luxo de perdê-los porque, em alguns casos, não conseguimos conceder-lhes permissão para permanecer, ou o fizemos fora do prazo – enfatizou Baptiste.
A abordagem é financeiramente interessante para o governo, mas os sindicatos a consideram injusta e inconsistente. Um protesto promovido por uma coalizão de sindicatos ocorreu no último dia 12, e uma nova manifestação está marcada para 26 de maio, para pressionar o governo a recuar na medida.