Rio de Janeiro, 15 de Outubro de 2026

EUA mobilizam tropas na América Latina e acendem alerta no Itamaraty

Um batalhão de 600 soldados da 10ª Divisão de Montanha em Fort Drum, sediado em Nova York, teria começado a se desdobrar para a criação de um novo centro de treinamento na selva no Panamá.

Quinta, 15 de Outubro de 2026 às 16:59, por: CdB

Um batalhão de 600 soldados da 10ª Divisão de Montanha em Fort Drum, sediado em Nova York, teria começado a se desdobrar para a criação de um novo centro de treinamento na selva no Panamá.

Por Redação – de Brasília

O corpo diplomático brasileiro recebeu, com apreensão, a iniciativa do Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, nesta quinta-feira, de iniciar o envio de tropas para treinar e realizar exercícios com forças locais na América Latina. O presidente norte-americano, Donald Trump, tem expandido a campanha de suposto combate ao tráfico de drogas, segundo autoridades militares ouvidas pelo diário norte-americano The New York Times (NYT).

O governo dos Estados Unidos ameaça a América Latina com a retomada de intervenções militares

Um batalhão de 600 soldados da 10ª Divisão de Montanha em Fort Drum, sediado em Nova York, teria começado a se desdobrar para a criação de um novo centro de treinamento na selva no Panamá.

“As tropas vão treinar com forças locais na Colômbia e Honduras e poderão também apoiar tropas de Operações Especiais dos EUA que aconselham exércitos a realizar operações contra suspeitos de tráfico de drogas”, informaram as autoridades militares ao NYT.

Exercício

Os soldados norte-americanos devem participar ainda este mês de um exercício militar na Colômbia conhecido como Vanguard do Sul.

“As rotações são temporárias, mas podem se tornar uma presença americana mais permanente”, adiantaram as fontes. Além disso, centenas de soldados da 10ª Divisão de Montanha também estavam programados para ajudar a compor a equipe de um novo comando voltado para operações no Hemisfério Ocidental, sediado em Miami.

As medidas somam-se à recente transferência de diversos drones MQ-9 Reaper da África para a Colômbia e o Equador; além da criação, pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, de um escritório específico para supervisionar as operações de combate aos cartéis. Ao jornal, Adam Isacson, do Escritório de Washington para Assuntos Latino-Americanos, disse que não se lembrava de um destacamento dos EUA na região que se aproximasse dessa dimensão, exceto em casos de invasões ou resposta a desastres.

Desde o início da campanha militar dos EUA contra o tráfico no continente americano, as forças armadas daquele país realizaram ao menos 71 ataques a embarcações no Caribe e no Pacífico Oriental, matando pelo menos 239 pessoas sob a alegação de que seriam traficantes, mas sem apresentar provas das acusações.

Opções

Segundo o general Francis Donovan, chefe do Comando Sul dos EUA, as operações serão expandidas, passando de ataques a embarcações para alvos terrestres. “Vejo ataques terrestres como opções? Sim. Queremos todas as opções em aberto”, ressaltou o general.

O candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro, ou filho ’01’ como também é conhecido, chegou a pedir publicamente a presença de tropas dos EUA em território nacional, sob a alegação de que ajudariam no combate ao crime organizado. A proposta foi criticada pela maioria da população, segundo pesquisas divulgadas logo após o pronunciamento.

Donovan detalhou o escopo das futuras ações: “essas ações podem incluir greves, prisões ou o desmantelamento de um esconderijo. Podem até ser algo tão rotineiro quanto aumentar o uso de scanners de carga nos postos de controle de fronteira. O objetivo é impor fricção sistêmica total aos cartéis”, acrescentou.

Tecnologia

O diário norte-americano The Wall Street Journal (WSJ), em reportagem publicada também nesta quinta-feira, revela que alguns dos drones que estão sendo usados, incluindo barcos não tripulados capazes de lançar quadricópteros, operarão ao longo de rios e no interior da selva. Donovan afirmou que é necessário um leque de sistemas de alta tecnologia porque a América Latina apresenta desafios muito maiores na localização de alvos do que a paisagem seca e aberta do Oriente Médio, citando como obstáculos a selva densa, o clima severo e o terreno montanhoso.

— É incrivelmente desafiador. Quando você adiciona as redes fluviais, seus fluxos diários e mudanças de maré de até seis metros, isso apresenta um conjunto de problemas geográficos e topográficos únicos que simplesmente nunca tivemos que enfrentar antes — pontuou o militar.

Até agora, apenas alguns países concordaram formalmente em permitir as operações conjuntas, como Colômbia e Honduras, entre outros. Na semana passada, cerca de 50 soldados e agentes da lei dos EUA juntaram-se à polícia equatoriana em operações realizadas ao amanhecer, com uso de drones e equipamentos de interferência, contra uma suposta rede de tráfico de cocaína ligada a um cartel mexicano.

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