Estudantes da Escola do Louvre e de Belas-Artes bloquearam o acesso ao Museu do Louvre para exigir melhores condições de estudo e trabalho, além de denunciar repressão policial.
Por Redação, com RFI – de Paris
O acesso ao Museu do Louvre, em Paris, foi bloqueado na manhã desta segunda-feira por estudantes mobilizados para expressar apoio ao movimento dos secundaristas e denunciar a “repressão policial”, segundo informações da direção do museu e de dois sindicatos.

O bloqueio impediu o museu de abrir as portas às 9h. “Temos orgulho de anunciar que estamos bloqueando o maior museu do mundo”, afirma um panfleto distribuído nas proximidades do Louvre.
De acordo com a direção do estabelecimento, a ação é liderada por estudantes da Escola do Louvre e não tem ligação direta com a instituição, que estaria sendo usada apenas como palco para dar visibilidade às reivindicações.
Instalada no complexo do Louvre, a Escola do Louvre é uma instituição de ensino superior especializada em história da arte, arqueologia, epigrafia, antropologia e museologia.
No panfleto distribuído pelos manifestantes, os estudantes não fazem referência direta aos protestos de sábado. Eles afirmam que o bloqueio faz parte da “luta pelo direito de estudar, trabalhar e viver livremente em boas condições”.
A data coincide com o primeiro aniversário do roubo ao museu mais visitado do mundo. De acordo com a central sindical CGT, que apoia a mobilização sem participar do protesto, o museu permanecerá fechado ao menos até o meio-dia.
Segundo outro sindicato, a CFDT, estudantes da Escola de Belas-Artes também participam da ação. O protesto faz parte da mobilização estudantil iniciada em meados de setembro e ocorre dois dias após a grande jornada nacional de protestos contra o alto custo de vida, marcada por episódios de violência em diversas cidades francesas.
Há um ano, o acesso ao museu vem sendo afetado por greves de funcionários iniciadas após o roubo de 19 de outubro de 2025. Os trabalhadores reivindicam melhores condições de trabalho e remuneração.
O aviso prévio de greve apresentado pelos sindicatos em dezembro de 2025 continua em vigor, uma vez que ainda não foi firmado um acordo definitivo com o Ministério da Cultura.
Novo protesto
A coordenação dos coletes amarelos que organizou as manifestações do último sábado na França contra o alto custo de vida, marcadas por episódios de violência em várias cidades, anunciou nesta segunda-feira um “Ato II”, com novas mobilizações previstas para os dias 24 e 31 de outubro.
No site 17octobregiletjaune.net, o grupo publicou um mapa das ações programadas para 24 de outubro, que já reúne dezenas de iniciativas em diferentes regiões do país.
“Domingo à noite, dizíamos que queríamos ganhar tempo para organizar a mobilização de 5 de novembro”, data em que uma frente sindical convocou trabalhadores dos setores público e privado para protestar. “Mas há claramente uma forte pressão para que haja um Ato II”, explicou à agência francesa de notícias Agence France-Presse (AFP) Benjamin Ball, editor do site.
– Vamos acompanhar esse movimento, evidentemente. Mantemos a mobilização para 5 de novembro, mas construiremos essa mobilização por etapas: haverá ações no dia 24, depois no dia 31 e, em seguida, em 5 de novembro – acrescentou.
Na noite de domingo, após o pronunciamento do presidente Emmanuel Macron na televisão, a mesma coordenação dos coletes amarelos classificou o discurso como “vazio” e pediu para ser recebida no Palácio do Eliseu, juntamente com representantes de diferentes setores mobilizados.
Segundo Benjamin Ball, os protestos de sábado tiveram adesão maior do que a observada no movimento “Bloquons Tout” (“Bloqueemos Tudo”), lançado nas redes sociais em 10 de setembro de 2025. “No dia 17 houve uma mobilização muito forte, mas ela ainda não foi suficiente”, avaliou.
Para 5 de novembro, uma frente sindical formada por CFDT, CGT, FO, Unsa e FSU convocou uma greve e manifestações em defesa dos salários, dos serviços públicos, do emprego e da indústria.