Enquanto Bolsonaro esperneia no TSE, Lula pede paz e democracia
O PL questiona a ausência do código de série das urnas no "diário de bordo" desses equipamentos mais antigos. Alega que, com isso, não é possível fiscalizá-las. Há, porém, outros dados e formas para identificar essas urnas.
O PL questiona a ausência do código de série das urnas no "diário de bordo" desses equipamentos mais antigos. Alega que, com isso, não é possível fiscalizá-las. Há, porém, outros dados e formas para identificar essas urnas.
Por Redação - de Brasília
Presidente eleito, o líder popular Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou em suas redes sociais, na manhã desta quarta-feira, uma mensagem em que propõe a "paz" e a "convivência democrática” ao povo brasileiro, enquanto seu adversário esperneia em um processo sem futuro, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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"O povo brasileiro quer um país em que volte a reinar a paz, a convivência democrática. O Brasil precisa de diálogo e trabalho conjunto para voltar a crescer e gerar empregos. Vamos juntos trabalhar para que nosso país volte a ter normalidade e prosperidade. Bom dia para todos", escreveu Lula.
A mensagem do próximo presidente da República destaca a necessidade da retomada da normalidade democrática, um dia depois de Bolsonaro (PL), por meio do presidente de seu partido, Valdemar Costa Neto, ingressar no TSE com uma representação na qual aponta um suposto erro na contagem de votos no segundo turno. A representação afirma que Bolsonaro teria vencido a eleição com 51,05% dos votos no segundo turno, o que não é verdade.
Consequências
Até mesmo ministros e parlamentares próximos a Bolsonaro não acreditam que a representação terá consequências relevantes. Costa Neto, que tenta se esquivar da autoria do relatório, alega "desconformidades irreparáveis de mau funcionamento" em parte das urnas utilizadas no segundo turno da eleição. As mesmas urnas, porém, foram utilizadas no primeiro turno, quando o PL elegeu a maior bancada na Câmara dos Deputados.
Para os bolsonaristas que circulam por Brasília, a ação do presidente do PL foi uma maneira de "aliviar a pressão interna que vinha sofrendo da ala mais radical do partido, ávida por contestar o resultado eleitoral a qualquer custo", segundo nota do jornalista Igor Gadelha em sua coluna, no diário brasiliense Metrópoles.
— Não vai dar em nada. O TSE vai arquivar — previu um ministro do chamado ‘Centrão’. A mesma avaliação é feita por outros integrantes do governo, que não veem chances de o TSE sequer julgar o mérito da ação.
Especialistas
O relatório utilizado pelo PL, para pedir a invalidação de votos depositados em urnas de modelos anteriores a 2020, segundo especialistas ouvidos pelo diário conservador paulistano Folha de S. Paulo (FSP), também tira conclusões incorretas a partir dos dados identificados. O PL questiona a ausência do código de série das urnas no "diário de bordo" desses equipamentos mais antigos. Alega que, com isso, não é possível fiscalizá-las. Há, porém, outros dados e formas para identificar essas urnas.
Ou seja, diferentemente da afirmação do parecer, a falha apontada não impossibilita a vinculação do arquivo gerado pela urna (conhecido como log da urna) com sua urna física correspondente, argumento base do relatório do PL. Na comparação feita por um especialista, é como se um um órgão estatal, por um erro, não tivesse em sua planilha os dados do INSS de um cidadão, mas tivesse RG e CPF — sendo possível, portanto, identificá-lo.
Além disso, o documento do PL possui lacunas ao ignorar o primeiro turno da eleição e a distribuição dos diferentes modelos de urnas dentro de um mesmo Estado.
Documento publicado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), na semana passada, mostrou, por exemplo, que as urnas novas foram mais comumente usadas em seções com mais de 400 eleitores — ao rebater afirmações infundadas feitas na live do argentino Fernando Cerimedo, que também levantou dúvidas sobre urnas dos modelos mais antigos.
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