O presidente do PT também associou a discussão sobre governabilidade à necessidade de rever o papel das emendas parlamentares obrigatórias.
Por Redação – de Brasília
Presidente nacional do PT e coordenador da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o jornalista Edinho Silva propõe “mudanças profundas no sistema político brasileiro”. Ele afirmou que a governabilidade de um eventual quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva dependerá da redução da influência do Congresso sobre o Orçamento.

Edinho Silva sustentou, ainda, que o atual arranjo político chegou ao limite e voltou a criticar o mecanismo das emendas impositivas. Em entrevista nesta sexta-feira ao diário conservador carioca ‘O Globo’, o dirigente petista afirma que o modelo político vigente perdeu capacidade de funcionamento.
— O modelo político brasileiro ruiu, apodreceu. Não há como mais sustentar esse modelo político que está aí — afirmou. Para o líder petista, uma reforma político-eleitoral deve ser prioridade na agenda institucional do país.
Equilíbrio
O presidente do PT também associou a discussão sobre governabilidade à necessidade de rever o papel das emendas parlamentares obrigatórias. Na avaliação do presidente do PT, o volume crescente de recursos controlados pelo Legislativo compromete atribuições do Poder Executivo e altera o equilíbrio entre os poderes.
— Deveríamos acabar com as emendas impositivas — adiantou.
Em seguida, reforçou a crítica ao atual modelo de execução orçamentária.
— Não podemos ter o Congresso executando R$ 62 bilhões no Orçamento. Não faz o menor sentido. Isso esvazia as atribuições do presidente da República — acrescentou.
Proposta
Para o coordenador da campanha de Lula, a relação entre Executivo e Legislativo passou a ser marcada por negociações em torno da liberação de recursos.
— Esse modelo de governabilidade que está aí, de balcão, de negociação de liberação de emendas, é muito ruim. Não há como construir uma nova governabilidade se não houver uma reforma política-eleitoral — criticou.
Na entrevista, Edinho Silva também elogiou o sistema de voto em lista partidária, embora tenha reconhecido que a proposta ainda não representa uma posição oficial do PT. O atual modelo eleitoral, observou, fortalece excessivamente candidaturas individuais e enfraquece a identidade programática dos partidos.
— Eu defendo o voto em lista. Ninguém sabe o que pensa o partido A ou o partido B. A sociedade criou uma cultura de votar no indivíduo — concluiu.