Rio de Janeiro, 19 de Junho de 2026

Durigan espera retirar subsídios aos combustíveis dentro em breve

O ministro Dario Durigan prevê reavaliação de subsídios aos combustíveis em junho, com possíveis cortes na taxa de juros e mudanças na autonomia do Banco Central.

Sexta, 19 de Junho de 2026 às 21:07, por: CdB

Questionado se vê espaço para outro corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, o ministro afirmou que o mundo parece caminhar para um cenário de desinflação com o encerramento do conflito.

Por Redação – de Brasília

Ministro da Fazenda, o advogado Dario Durigan previu, nesta sexta-feira, que deve ser possível avaliar ainda em junho a estabilização do preço do petróleo, o que permitirá reverter as medidas emergenciais de subsídio a combustíveis, se confirmado esse cenário. Durigan afirmou, ainda, que a avaliação será feita a partir da definição do acordo entre Estados Unidos e Irã pelo encerramento do conflito no Oriente Médio.

Dario Durigan
O advogado Dario Durigan é o ministro da Fazenda

— Talvez semana que vem seja definitiva, ou no máximo na seguinte, mas acho que dentro do mês de junho a gente vai ter essa definição de que houve uma estabilização, as causas que geraram as medidas não estão mais existentes, portanto está na hora de reverter as medidas — afirmou, em entrevista ao site de notícias jurídicas ‘Jota’.

Questionado se vê espaço para outro corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, o ministro afirmou que o mundo parece caminhar para um cenário de desinflação com o encerramento do conflito, o que dá margem para mais uma redução de juros pelo Banco Central (BC).

 

Reação

Nesta semana, o BC anunciou o terceiro corte consecutivo de 0,25 ponto percentual (p.p) da Selic, a 14,25% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto ao argumentar que avalia trajetórias de juros “alternativas” para atingir a meta de inflação em um horizonte um pouco mais distante, postura que gerou reação negativa no mercado.

Em relação à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que tramita no Senado para dar autonomia financeira ao BC, Durigan disse ver problemas no texto, citando impactos na contabilidade pública e em uma ampliação de poderes do órgão. Ele afirmou concordar com o fortalecimento do BC, assim como o de outras agências, mas disse se preocupar com as possíveis consequências da PEC.

— Eu vou sem dúvida reabrir esse debate com Gabriel Galípolo (presidente do BC), que já temos conversado sobre isso, com o presidente Lula — afirmou.

 

Recorde

O ministro voltou a afirmar que defende a indicação de diretores ao BC pelo governo, travada desde o início do ano, mas ponderou que “isso está além das minhas prerrogativas” e será decidido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Durigan adiantou, ainda, que o Plano Safra a ser anunciado neste ano deve prever um volume de recursos similar ao do ano passado, de R$593 bilhões, podendo haver uma liberação recorde nesse novo ciclo.

Ainda segundo Durigan, o governo trabalhará em conjunto com o Congresso para ampliar o limite de enquadramento do Microempreendedor Individual (MEI) dos atuais R$81 mil de faturamento anual para “algo como” R$130 mil.

Impacto

Durigan acrescentou que a elevação do teto para acesso ao programa de tributação reduzida será feita de maneira gradual em 2027 e 2028.

E observou que o governo não está discutindo um aumento de teto de enquadramento do programa Simples Nacional, argumentando que o impacto para as contas públicas nesse caso é muito grande.

— Nós não temos condição hoje de ampliar os limites do Simples como um todo, isso está fora de questão — concluiu.

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