Entre a saudade do tempero de casa e a adaptação aos arraiais do DF, migrantes celebram a temporada mais aguardada do ano.
Por Redação, com JBr – de Brasília
O período de arraiais já está a todo vapor desde maio em muitos lugares pelo Distrito Federal. As festividades são reforçadas com o Dia de São João, que oficialmente é celebrado no dia 24 de junho. A data homenageia aquele que é conhecido como o “Santo Festeiro”, marcando as tradicionais comemorações das festas juninas do país, com danças, pratos típicos, brincadeiras, fogueiras e quadrilhas. Cada região do Brasil tem suas tradições agregadas às festividades. No DF, o JBr conversou com nordestinos que vivem na cidade sobre como fazem para festejar essa temporada tão querida e manter viva a cultura de onde vieram.

A advogada Laís Campelo Braga Ximenes Servulo, 25 anos, é do Ceará e está em Brasília há 8 anos. Ela gosta muito da capital, apesar de sentir saudades da família que deixou lá, das comidas típicas e de alguns costumes. “Lá as pessoas são mais acolhedoras e sinto saudade disso também.” Neste período de festejos juninos, Laís considera muito legal ter essas festas para conservar um pouco da cultura. Ela costuma frequentar as festas das igrejas para manter essa tradição. “Mas as comidas das festas no Ceará, os temperos são mais fortes e a variedade também é um pouco maior”, comentou.
Ela acredita que as festas juninas de Brasília poderiam ter mais do prato típico da paçoca, que consiste na carne de sol com farinha e cebola. “Outra coisa bem diferente, além das comidas e temperos mais fortes, são as brincadeiras. Lá, tem uma atividade de colocar o boneco pendurado em um toco de madeira e passar óleo. As pessoas sopram para pegar o boneco, pois vale dinheiro”, exemplificou. Para Laís, fazem falta as quadrilhas e brincadeiras das festas no Ceará, mas, mesmo assim, ela acredita que as comemorações em Brasília a fazem matar um pouco da saudade de casa.
Com saudades da sua terra, mas certa de que desde 1974 fez a escolha certa de se mudar para Brasília, pois “não existe lugar melhor”, a enfermeira aposentada Rosa Maria Sousa Ximenes, 66 anos, contou ao JBr que as festas de São João de onde ela nasceu são bem diferentes das comemoradas na capital. “Mas até que atualmente tem bastante festas juninas e as pessoas têm comemorado quase todas as datas, então você quase não sente tanta falta.” Ela é natural do Maranhão e observou que em algumas quermesses brasilienses, principalmente as festas de colégios, as pessoas fazem comidas típicas mais puxadas para a cultura mineira. “Mas o que sempre tem, que eu gosto, é a canjica e o cuscuz, que a gente sempre acha por aí.”
Para ela é importante ter esses arraiais e, sempre que pode, ela vai a alguma festa junina. “E eu continuo fazendo as comidas típicas lá do meu Maranhão, do Piauí, pela minha família. E já fiz até uma grande festa de quadrilha onde moro.” Ela só não faz outra edição porque a grande turma envolvida no evento acabou indo para outros lados; então, para continuar com o espírito das festividades de São João, ela sempre vai assistir às quadrilhas.
Para ela, celebrar datas como São João e ir às festas típicas do meio do ano é manter um pouco da tradição, mesmo que fora do Nordeste. “A gente tem que dar continuidade para repassar para os nossos netos, para o povo que chega”, disse. Ela, junto do marido que é cearense, costumava viajar com os filhos, quando eram mais novos, para os estados do Nordeste em junho e julho, para que eles conhecessem mais dos festejos típicos.
Com um ano morando em Brasília, Expedito Arcanjo de Sousa Junior, analista de gestão, 27 anos, veio de Teresina, Piauí, com a noiva. Para ele, conservar a cultura de sua cidade é muito importante, principalmente com o reforço de datas tão simbólicas. “O São João sempre me traz boas lembranças de casa, da época de festas juninas de escola, com quadrilhas e, principalmente, as comidas típicas, como arrumadinho, mungunzá, bolo de milho”, citou. Essa data também o faz lembrar das festas juninas da família paterna. “Era um momento de confraternização. Então, sim, gosto desse período de festas juninas.”
Recém-chegado à capital, ele já frequentou algumas festas juninas na cidade, mas não consegue sentir a mesma conexão. Ele tenta, junto com outras pessoas, procurar atividades para manter a tradição viva, para continuar conectado com os elementos e memórias de sua terra natal, bem como com as pessoas do lugar de onde veio. “No ano passado, juntamos alguns amigos piauienses que também moram em Brasília e fizemos uma pequena reunião com várias das comidas típicas que tanto gostamos e sentimos falta.”
Nordeste
Um símbolo cultural do Nordeste no DF é a Casa do Cantador. Segundo o gerente do local, Ricardo Caixeta de Brito, a data do São João é um símbolo festivo maravilhoso. Todo ano é uma data celebrada com muito carinho no espaço, mas em 2026 as coisas estão mais devagar, pois a estrutura está passando por uma reforma. Ricardo ressalta a importância desse ponto localizado na Ceilândia, que foi inaugurado em 9 de novembro de 1986. “Quer dizer, é feito pelo Oscar Niemeyer. A única obra que ele tem fora do Plano Piloto é a Casa do Cantador. Isso é muito simbólico.”
Com a obra, os telhados vão ser reformados, assim como os banheiros, e está prevista também uma nova pintura do local. Ricardo tem esperanças de que, com o espaço reformado, mais eventos da cultura nordestina possam ser celebrados por ali, a começar por uma programação de reinauguração que ainda está sendo planejada.