De aulas com fantasias de super-heróis à contação de histórias, professores se destacam ao apostar em métodos criativos para despertar o interesse dos alunos.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
Uma fantasia de super-herói, uma história contada com direito à figurino e música. Para muitos professores, ensinar também significa encontrar maneiras de despertar a curiosidade dos alunos e aproximar o universo lúdico em parte de sua realidade. Nesta quinta-feira, 15 de outubro, é comemorado o Dia do Professor. Conheça o surgimento da data e histórias de educadores que tornaram o aprendizado mais atrativo dentro e fora da sala de aula.

A data dedicada aos professores surgiu em meados da década de 40, diante da necessidade de educadores criarem uma pausa no calendário escolar. Em 1947, no Ginásio Caetano de Campos, conhecido como Caetaninho, em São Paulo, o professor Salomão Becker propôs reservar o dia 15 de outubro para uma confraternização entre educadores e alunos.
A escolha também remetia ao 15 de outubro de 1827, quando o imperador dom Pedro I sancionou uma lei que determinava a criação de escolas de primeiras letras em cidades, vilas e lugares populosos do Império. Posteriormente, a proposta de Becker se espalhou por outras escolas e, em 1963, o presidente João Goulart oficializou nacionalmente a data como feriado escolar, por meio do Decreto nº 52.682.
Metodologias
Décadas depois, a prática do ensino tem sido inovada por parte de diversos educadores. No Rio de Janeiro, a professora Luziene Rosa Sobreira das Chagas, 44 anos, de Bangu, na Zona Oeste, é uma das premiadas com o Prêmio Rede CpE na Sala de Aula, da Rede Nacional de Ciência para a Educação (Rede CpE).
No dia a dia, a professora utiliza fantasias de personagens conhecidos pelas crianças como o Homem-Aranha, Flash, Emília, Mulher-Maravilha, entre outros, para ensinar letras e sons durante o processo de alfabetização.Em uma das propostas, a letra B é apresentada com a ajuda do Batman, e ajuda as crianças a associarem o personagem ao reconhecimento da letra e à combinação de sons.
A iniciativa integra o projeto dela: “Alfabetização Divertida: Práticas Docentes na Contemporaneidade”. Em entrevista Agenda do Poder, a professora explicou a intencionalidade por trás das fantasias. Segundo ela, os figurinos fazem parte de uma metodologia planejada, baseada em evidências científicas sobre a aprendizagem da leitura e em conhecimentos da neurociência aplicada à educação.
– Ou seja, algo longe como um B de baleia, as pessoas não reconhecem, não veem baleia. O B de bola, a criança sabe o que é uma bola, mas é diferente quando a letra tem um valor lúdico que ela não desperdiça. Então, o B do Batman é legal, o B do Capitão América é divertido, com a professora fantasiada – explicou.
Professora há 26 anos, Luziene atua na rede municipal do Rio desde 2002 e é formada em pedagogia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Há quatro anos, dedica-se exclusivamente à alfabetização.
O projeto premiado foi desenvolvido com crianças em situação de vulnerabilidade social. Para a educadora, a proposta vai além do ensino das letras e envolve a construção de um vínculo entre os estudantes, a escola e as famílias.
– É um olhar especial para essas crianças que estão em situação de vulnerabilidade social, são crianças que, muitas vezes, passam invisibilizadas. Ninguém lembra, ninguém repara. Então, esse prêmio mostra que não. Que esse trabalho feito atravessa os muros da escola. É um trabalho que envolve a família. As crianças levam livros para ler em casa, as famílias vêm ler com as crianças na escola. É uma troca muito grande.
Ainda segundo ela, a premiação tem ainda um significado pessoal: a cerimônia de entrega, prevista para ocorrer neste sábado (17), no Museu do Amanhã, na zona portuária do Rio, coincide com o aniversário da educadora. Para ela, celebrar a data com o reconhecimento de seu trabalho torna o momento ainda mais especial.
– A entrega do prêmio no Museu do Amanhã é no mesmo dia do meu aniversário. Então, eu vou estar comemorando meu aniversário ganhando um prêmio. Um prêmio muito importante, que traz visibilidade para o chão das salas de aula da periferia. Porque muita coisa boa é produzida nas comunidades – conclui.
Imaginação
Quando o assunto é contação de histórias, o educador Glaucio Ramos Gomes participa com propriedade. Educador em Pernambuco, ele atua como contador de histórias e utiliza a interpretação de personagens, figurinos, instrumentos musicais e técnicas de sonorização com ferramentas variadas para dar vida às narrativas e envolver o público.
Em meio à uma rotina cada vez mais estimulada pelos celulares e telas, Glaucio diz que a contação de histórias pode contribuir para ampliar o vocabulário e incentivar o hábito da leitura.
– O lúdico é um ótimo caminho pra conduzir as crianças para o mundo da leitura. É nisso que acredito. Por isso vivo criando músicas e brincadeiras que usam o livro e a leitura como brinquedo. Nesse universo do brincar, as crianças vão se envolvendo com a leitura, tornando-a uma prática comum e agradável. Um leitor se forma primeiro pela estética: o emocional, o lúdico – afirma o professor em uma publicação.
Além de contar histórias e mediar apresentações, o professor também ensina outros educadores sobre práticas e abordagens mais atrativas ao ensino.