A Rota do Mar do Norte (NSR, na sigla em inglês) não é apenas cerca de 7 mil quilômetros mais curta, como também evita o foco de tensão geopolítica das vias mais usadas atualmente, que passam pelo Oriente Médio.
Por Redação, com DW – de Seul
A Coreia do Sul concluiu em outubro uma viagem que, segundo suas expectativas, pode representar a abertura de um nova via marítima comercial pelo Oceano Ártico. Um navio porta-contêiners sul-coreano saiu de Busan e chegou a Roterdã, na Holanda, em 50 dias, pela costa ártica da Rússia. Economizou ao menos dez dias em comparação com os tempos mais rápidos da rota mais utilizada, pelo Canal de Suez segundo o governo sul-coreano, em nota distribuída neste sábado.

A Rota do Mar do Norte (NSR, na sigla em inglês) não é apenas cerca de 7 mil quilômetros mais curta, como também evita o foco de tensão geopolítica das vias mais usadas atualmente, que passam pelo Oriente Médio.
A redução dos tempos de entrega, contudo, é vista com ressalvas entre as potências europeias. Analistas afirmam que os países alinhados contra a Rússia por causa da invasão da Ucrânia temem que o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, esteja buscando ampliar as relações econômicas de Seul com Moscou. Isso iria na contramão dos esforços de Kiev e de seus aliados ocidentais para isolar a Rússia.
Mais armas
Uma das razões para a Coreia do Sul testar a rota ártica é, sem dúvida, seu grande potencial econômico. Mas analistas disseram à agência alemã de notícias Deutsche Welle (DW) que Seul também espera que, ao manter uma relação funcional com o regime russo, possa influenciar Vladimir Putin a não fornecer mais armas à Coreia do Norte. Para eles, é preciso que Seul navegue com extrema cautela por essas águas geopolíticas.
O navio porta-contêineres PanStar Acro deixou o porto sul-coreano de Busan em 22 de agosto e contornou a Rússia até chegar ao porto de Felixstowe, no sul da Inglaterra. Depois, seguiu para Roterdã, na Holanda, e Gdansk, na Polônia, antes de retornar pela Rota do Mar do Norte.
Durante décadas, a NSR foi intransitável devido à cobertura de gelo no Polo Norte. Com o recuo do gelo provocado pelas mudanças climáticas, a navegação vem se tornando possível, embora navios comerciais frequentemente precisem ser acompanhados por quebra-gelos em determinadas épocas do ano.