O militante rebelde disse que cerca de 40 combatentes do governo foram mortos, enquanto cerca de 10 rebeldes foram mortos
Por Redação, com Reuters - de Beirute/Sinjar:
Dezenas de pessoas foram mortas em uma batalha de um dia entre rebeldes sírios e forças do governo em Aleppo, e o confronto ainda ocorre sem interrupções nesta quarta-feira, disseram fontes combatentes e o Observatório Sírio para Direitos Humanos.
Um rebelde disse que insurgentes conseguiram conquistar terreno no lado do governo, enquanto o Exército informou que o ataque foi repelido.
Os confrontos ameaçaram as linhas de defesa próximas às áreas do governo em Aleppo.
O diretor do Observatório, Rami Abdulrahman, disse que dezenas de pessoas foram mortas em ambos os lados, no que descreveu como a batalha mais intensa do ano na área. Forças do governo foram reforçadas por aliados do Hezbollah libanês, disse.
O militante rebelde disse que cerca de 40 combatentes do governo foram mortos, enquanto cerca de 10 rebeldes foram mortos. A fonte militar negou grandes baixas entre militares, mas disse que dezenas de civis e muitos rebeldes foram mortos.
Estado Islâmico
Os Estados Unidos reuniram ministros da Defesa de 11 outros países para conversas nesta quarta-feira sobre maneiras de fortalecer a campanha contra o Estado Islâmico, um dia após um fuzileiro naval norte-americano ser morto no Iraque durante um ataque do grupo militante.
O ministro da Defesa dos EUA, Ash Carter, disse aos ministros que apesar das conquistas recentes "esta luta está longe do fim".
As conversas incluíram ministros da França, Grã-Bretanha e Alemanha e foram planejadas antes das notícias da morte do fuzileiro dos EUA no norte do Iraque, quando militantes do Estado Islâmico passaram por defesas curdas.
O militar de elite foi o terceiro norte-americano a ser morto em combate direto desde que a coalizão liderada pelos EUA iniciou uma campanha em 2014 para "degradar e destruir" o Estado Islâmico, e é uma medida de aprofundar envolvimento no conflito.
Vingança contra abusos do EI
Quando o Estado Islâmico invadiu Sinjar, cidade do norte do Iraque, em 2014, algumas poucas jovens da etnia yazidi pegaram em armas contra os militantes que atacavam mulheres e meninas de sua comunidade.
– Eles levaram oito das minhas vizinhas e os vi matando crianças – contou Asema Dahir à agência inglesa de notícias Reuters no mês passado em um posto de controle próximo da linha de combaye ao norte da cidade de Mosul.
Vestida com uniforme militar, a jovem de 21 anos é parte de uma unidade exclusivamente feminina das forças curdas iraquianas conhecidas como peshmerga, que vêm desempenhando um papel importante na repressão ao Estado Islâmico no norte do Iraque.
O assassinato e a escravização de milhares de membros da minoria yazidi iraquiana chamaram atenção internacional para a campanha violenta do grupo extremista para impor sua ideologia radical, e levaram os Estados Unidos a lançar uma ofensiva aérea.
Os abusos também induziram a formação da unidade incomum formada por 30 mulheres yazidis, assim como curdas do Iraque e da vizinha Síria. Para elas, só uma coisa importa: vingar as companheiras estupradas, espancadas e executadas pelos militantes jihadistas.
Asema disse que ficou chocada com a brutalidade dos radicais, alguns dos quais eram vizinhos e outros de fora da área.
– Eles mataram meu tio e levaram a esposa de meu primo, que tinha se casado oito dias antes – disse ela, de olhos marejados. A esposa, como milhares de mulheres yazidis, ainda está nas mãos dos militantes.
Durante os combates que irromperam em Sinjar em 2014, Asema disse ter matado dois combatentes do Estado Islâmico antes de levar um tiro na perna. À Reuters não pôde confirmar de maneira independente os relatos pessoais.
Haseba Nauzad, comandante de 24 anos da unidade, perdeu o marido, com quem vivia na Turquia quando a facção extremista varreu o norte iraquiano e anunciou seu assim chamado califado em áreas que incluíram terras curdas tradicionais.
– Eu os vi estuprando minhas irmãs curdas e não pude aceitar essa injustiça – afirmou.
Seu marido quis pagar traficantes de pessoas que os levariam à Europa, assim como as mais de um milhão de pessoas em fuga dos conflitos na região, mas ela insistiu em ir para casa combater os islâmicos.
– Coloquei minha vida pessoal de lado e vim defender minhas irmãs e mães curdas e enfrentar esse inimigo – contou ela, que perdeu contato com o companheiro depois que ele chegou à Alemanha.