Rio de Janeiro, 06 de Abril de 2026

Cia PeQuod ocupa o Sesc Copacabana com ‘O Desejo’

Descubra 'O Desejo', o novo espetáculo da Cia PeQuod que une dança e teatro de animação, com Bruno Cezario em seu primeiro papel como ator-manipulador. Estreia no Sesc Copacabana em abril.

Segunda, 06 de Abril de 2026 às 12:08, por: CdB

Cia PeQuod – Teatro de Animação traz a público inédito espetáculo cênico adulto. Formada por três quadros, a montagem traz o consagrado bailarino Bruno Cezario pela primeira vez como ator-manipulador no elenco.

Por Redação – do Rio de Janeiro

Referência dentro e fora do Brasil ao longo de 26 anos de trabalho continuado, a Cia PeQuod – Teatro de Animação estreia o inédito espetáculo teatral adulto O Desejo, dia 9 de abril, às 20h30, no mezanino do Sesc Copacabana. A direção é de Miguel Vellinho e do coreógrafo Bruno Cezario, considerado um dos principais bailarinos de sua geração, que pela primeira vez entra em cena como ator-manipulador. Formado por três quadros independentes, mas interconectados entre si, O Desejo põe o corpo – de bonecos e atores – em absoluto lugar de destaque. Primeiro, explora possibilidades da dança como motor das ações de cada história. Em seguida, assume o risco de apresentar uma obra que tem o erotismo em primeiro plano.

Cia PeQuod ocupa o Sesc Copacabana com ‘O Desejo’ | “O Desejo” leva Cia PeQuod ao Sesc Copacabana
“O Desejo” leva Cia PeQuod ao Sesc Copacabana

O elenco é formado por Bruno Cezario, Caio Cesar Passos, Diego Diener, Liliane Xavier, Márcio Nascimento e Mariana Fausto. A classificação indicativa é de 18 anos. A lotação é de 69 lugares. A luz de Renato Machado, o cenário de Doris Rollemberg, figurinos de Kika de Medina, música original de Federico Puppi, além de composições de Claude Debussy e Mica Levi, exaltam a proposta do espetáculo. O Desejo, que é realizado através do Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar. A temporada é de quinta a domingo, às 20h30, até 3 de maio. Sessão com audiodescrição dia 24 de abril. Excepcionalmente, não haverá espetáculo dia 2 de maio. A sessão extra está prevista para 22 de abril, no mesmo horário de 20h30.

Esta é a segunda investigação unindo bonecos e dança contemporânea da Cia PeQuod. A primeira foi Peh Quo Deux, com coreógrafos convidados, em 2014. Sucesso de crítica e público, Peh Quo Deux foi eleito um dos 10 melhores espetáculos de dança do ano pelo diário conservador carioca O Globo. Em 2015, representou o Brasil no Festival Mondial de Charleville Mezières, na França.

– Agora, a PeQuod se lança num lugar de desafio e experimentação bem diferente. Porque ‘O Desejo’ parte de outras premissas. Digamos que tem um fundo mais radical, pela temática, porque até então montamos textos adaptados da literatura. Ao falar do desejo de forma psicanalítica ou filosófica, temos mais  perguntas do que respostas – pondera o diretor Miguel Vellinho. Entre as obras de referência na pesquisa para a montagem está o livro A agonia do Eros, do filósofo coreano Byung-Chul Han.

O espetáculo começa com o quadro SBFN2025, criado por Miguel Vellinho, também coreógrafo da ação. Finalmente, o diretor realiza um sonho antigo: unir dois personagens de espetáculos distintos da primeira fase da PeQuod. São eles o vampiro, da peça Sangue Bom (1999), com a sensual cantora Verônica De Vitta, de Filme Noir, um dos grandes sucessos do coletivo, que inaugurou o mezanino do Sesc Copacabana, em 2004, e faz ode ao estilo cinematográfico. Cantora de um clube de jazz, Verônica De Vitta é suspeita de assassinato em Filme Noir. Louco por ela, o vampiro chega para um encontro marcado pronto para tudo. Dois corpos ávidos que se encontram no tempo-espaço da ficção para, enfim, pôr à prova se a carne é fraca, como diz o ditado. ”Me agrada a ideia de trabalhar com esses temas, por mais difíceis que possam ser nossas respostas artísticas a respeito. O que é possível dizer é que O Desejo renova o vigor de todos. Todo o elenco se entrega e não há zona de conforto”, ressalta o diretor.

O segundo quadro de O Desejo é a encenação com bonecos do clássico L’après-midi d’un faune, de Vaslav Nijinsky, que causou furor ao estrear em 1912. Esse balé é um capítulo à parte na história profissional de Bruno Cezario. “Entrei para o Theatro Municipal aos 16 anos para a estreia do espetáculo intitulado ‘Homenagem aos balés russos’, em que havia o Fauno, entre Les Noces e Sagração. Na reprise, no ano seguinte, quando sim, eu tinha 17 anos de idade, Jean-Yves Lormeau me escalou para o papel e dancei a noite de estreia ao lado de Aurea Hammerli”, conta o artista, que integrou o corpo de baile do Theatro Municipal.  

A interpretação do bailarino virou uma assinatura. “No centenário do balé, Dona Tatiana Leskova me convidou também para a noite de estreia do espetáculo em homenagem à obra, novamente no Theatro Municipal, onde concedeu um documento oficial me capacitando para a remontagem de futuras temporadas do L’après-midi d’un faune pela minha experiência e, segundo ela, total entendimento da obra em sua totalidade. E eu me senti muito honrado. Inclusive, o próprio Miguel Vellinho me viu naquela versão.”

Bruno diz que revisitar o balé com bonecos mostra novas direções. “Hoje, revisitá-lo me possibilita poder ‘brincar’ com ele, e recriá-lo o mais fielmente possível com os bonecos e ao mesmo tempo fazer dessa uma de minhas versões. Ele está um adolescente!  Assim como eu quando o estreei. É sapeca e doce. E seus desejos de prazer muito inocentes e inofensivos. Me concentrei em uma única Ninfa, também doce, de porcelana! E que foge dele de bochechas vermelhas. Ela também não conhece o amor”, conta. O artista participa de todos os três quadros do espetáculo “O Desejo”, registre-se.

Fundada pelo diretor Miguel Vellinho e pela atriz e produtora Liliane Xavier, a companhia carioca chega ao 26º ano de trabalho encarando desafios comuns aos coletivos brasileiros. Segue investindo  na interseção de linguagens como um de seus diferenciais. Para Liliane Xavier, que interpretou o inesquecível Pinóquio na opereta de Tim Rescala, dirigida por Miguel Vellinho após a pandemia (no CCBB-Rio e CCBB-SP), “O Desejo” traz expansões na linguagem e na própria vivência da companhia. O projeto teve início em 2024 com o edital Rumos Itaú Cultural. “Após a criação do espetáculo ‘O Braille’, surgiu a ideia de retornar ao trabalho com a dança. Porém, a pandemia fez com que a gente ressignificasse aspectos da nossa história”, conta. O Rumos Itaú Cultural contemplou boa parte do processo de pesquisa. “Apenas agora estamos estreando o projeto completo, quase três anos depois. Há um compromisso que faz com que a gente se desafie no trabalho sempre. Por outro lado, estar em coletivo requer generosidade de entender o pensamento de todo o grupo”, completa Liliane Xavier.

O terceiro quadro de “O Desejo”, homônimo ao título, leva a PeQuod a investigar as possibilidades do hibridismo. Os atores-manipuladores lançam-se ao movimento, literalmente, sem bonecos. Um escape da zona de conforto jamais visto nos 26 anos da PeQuod e, claro, com Bruno Cezario não só acompanhando-os, mas também estruturando ideias de futuro para esta companhia que não cansa de se reinventar. ”Me agrada a ideia de trabalhar com esses temas, por mais difíceis que possam ser nossas respostas artísticas a respeito. O que é possível dizer é que ‘O Desejo’  renova o vigor de todos. Todo o elenco se entrega e não há zona de conforto”, ressalta o diretor Miguel Vellinho.

PeQuod

Toda a trajetória é reconhecida por crítica e público, conquistando diversos prêmios no teatro brasileiro. Entre os mais recentes, o Shell no Rio de Janeiro, para a cenógrafa Doris Rollemberg, por A última aventura é a morte, o APCA em São Paulo (pela opereta Pinóquio e Pluft). Desde sua fundação, colabora decisivamente para a expansão das fronteiras da linguagem do Teatro de Animação a partir de experiências plurais. Seja pela aproximação entre o Cinema e Performance, a Dança ou a Cultura pop contemporânea (Ovelha negra, com músicas de Rita Lee). Entre seus espetáculos estão Filme Noir (2004), As Aventuras do Fantástico Barão de Münchausen (encenado em tendas ao ar livre no pátio do Espaço Cultural dos Correios; 2015), A última aventura é a morte (CCBB-Rio de Janeiro; 2018), Pinóquio (CCBB-Rio e CCBB-SP; 2021-2022), “Pluft, o fantasminha” (Sesi São Paulo e Sesc Tijuca; 2022 e 2023).

Ficha técnica:

O Desejo

Direção artística: Miguel Vellinho

Coreógrafos: Bruno Cezario – L’après-midi d’un Faune

Miguel Vellinho – SBFN2025

Bruno Cezario e Miguel Vellinho – O Desejo

Elenco: Bruno Cezario, Caio Cesar Passos, Diego Diener, Liliane Xavier, Márcio Nascimento, Mariana Fausto

Voz off: Simone Mazzer

Cenário: Doris Rollemberg

Figurinos Ato I: Kika de Medina

Figurinos Ato II: Bruno Cezario e Kika de Medina

Iluminação: Renato Machado

Músicas: Mica Levi, Claude Debussy e Federico Puppi

Escultura dos bonecos: Liliane Xavier, Gabriela Bardy,

Bernardo Macedo e Flávia Vitralli

Confecção de bonecos e objetos de cena: Bruno Cezario, Caio Passos, Clayton Diir, Diego Diener, Liliane Xavier, Miguel Vellinho, Thaísa Violante

Confecção do habitável: Junior Alexandre, Matheus Oliveira (Aramados Art & Cia), William da Espuma e Barbara Quadros

Programação visual: Roberta de Freitas

Fotos: Renato Mangolin

Filmagem: Zhai Sichen

Assessoria de Imprensa: Mônica Riani

Assessoria das mídias sociais: Rafael Teixeira

Audiodescrição: Graciela Pozzobon

Operação de Som: Gabriel Matriciano Reis

Operação de luz: Leandro Barreto

Contrarregra: Divany de Souza

Montagem de luz: Anderson Bispo, Lucio Bragança e Rodrigo Mello

Montagem de cenário: Altair Oliveira, Beto Almeida, Jorge Marinho do Nascimento, Milton Rodrigo de Souza Rego e Uirá Clemente

Costura cênica: Nice Tramontin

Estagiário PeQuod: João Zangrandi

Direção de produção: Maria Alice Silvério

Produção executiva: Attos Sacramento

Coordenação do projeto: Lilian Bertin

Idealização e realização: Cia. PeQuod – Teatro de Animação

O projeto 2/3 de Desejo foi contemplado no Rumos Itaú Cultural 2023-2024

Cia PeQuod ocupa o Sesc Copacabana com ‘O Desejo’ | “O Desejo” mistura dança e bonecos em Copacabana
“O Desejo” mistura dança e bonecos em Copacabana

Serviço:

O Desejo

Estreia: 9 de abril, às 20h30.

Temporada: De quinta a domingo, sempre às 20h30.

Duração: 60 min

Até 3 de maio de 2026

Local: Mezanino do Sesc Copacabana – Rua Domingos Ferreira, 160. Copacabana – RJ – RJ | Tel. 21 3180.5226

Ingressos: R$ 10 (associado do Sesc), R$ 15 (meia-entrada), R$ 30 (inteira)

Bilheteria – Horário de funcionamento: Terça a sexta-feira – das 9h às 20h, sábados, domingos e feriados – das 14h às 20h.

Classificação indicativa: 18 anos- O espetáculo O Desejo faz parte da programação de temporadas do Edital de Cultura RJ Pulsar 2025/2026

Edições digital e impressa