Rio de Janeiro, 29 de Julho de 2026

China e Vaticano ordenam novo bispo sob acordo bilateral

A consagração ocorre exatamente uma semana após a ordenação do novo bispo de Chifeng, o primeiro prelado chinês nomeado pelo líder da Igreja Católica em 2026.

Quarta, 29 de Julho de 2026 às 13:36, por: CdB

A consagração ocorre exatamente uma semana após a ordenação do novo bispo de Chifeng, o primeiro prelado chinês nomeado pelo líder da Igreja Católica em 2026.

Por Redação, com ANSA – da Cidade do Vaticano

O Vaticano anunciou nesta quarta-feira a ordenação episcopal de dom Francesco Saverio Duan Yongkun, novo bispo coadjutor da Diocese de Bameng, na região autônoma da Mongólia Interior, na China.

Religioso foi nomeado pelo papa Leão XIV em 25 de junho

Segundo o boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé, o religioso foi nomeado pelo papa Leão XIV no último dia 25 de junho, após a aprovação de sua candidatura no âmbito do Acordo Provisório entre a Santa Sé e a República Popular da China, que regula a nomeação de bispos no país.

A consagração ocorre exatamente uma semana após a ordenação do novo bispo de Chifeng, o primeiro prelado chinês nomeado pelo líder da Igreja Católica em 2026, sinalizando a continuidade da aplicação do acordo entre o Vaticano e Pequim.

De acordo com a agência AsiaNews, a região autônoma da Mongólia Interior é considerada uma área particularmente sensível no que diz respeito à política de “sinicização” promovida pelo governo chinês.

A medida busca reforçar a unidade nacional e tem sido alvo de críticas por reduzir o espaço para as línguas e culturas das minorias étnicas do país. A legislação que fortalece essa política foi aprovada em março deste ano e entrou em vigor no último dia 1º de julho.

Nascido em 6 de dezembro de 1980, em Hangjin Houqi, Mongólia Interior, Duan Yongkun estudou no Seminário Teológico de Hebei (2000-2007), na Universidade de Pequim e na Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim (2008-2013), além da Universidade Católica de Fujen, em Taiwan (2013-2016).

Ele foi ordenado sacerdote da Diocese de Bameng em 2011. Entre 2016 e 2020, atuou como diretor do centro de formação local e, posteriormente, tornou-se vigário geral da Diocese de Bameng e pároco da catedral diocesana.

China

O Vaticano e a China romperam relações diplomáticas em 1951, quando a Santa Sé reconheceu a independência de Taiwan, que ainda é visto por Pequim como uma “província rebelde”.

Durante décadas, católicos chineses viveram divididos entre uma conferência de bispos escolhida pelo Partido Comunista e um braço da Igreja Apostólica Romana que atuava na clandestinidade.

No entanto, um acordo assinado em 2018 permitiu à Santa Sé recuperar um papel ativo na indicação de bispos chineses, que até então eram escolhidos à revelia do Papa. Apesar disso, o tratado é alvo de críticas por não dar à Igreja a mesma autonomia que ela possui em outros países. 

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