A operação mercantil, que abrange principalmente duas usinas de produção de ferro-níquel da Anglo em Goiás — Barro Alto e Niquelândia (Codemin) —, foi assinado em fevereiro de 2025 por aproximadamente US$ 500 milhões (R$ 2,6 bilhões ao câmbio atual).
Por Redação – de São Paulo
A mineradora chinesa MMG negocia a liberação de compra dos ativos de ferro-níquel da Anglo American no Brasil até o fim de novembro. No início do próximo mês, está prevista a última audiência entre as partes envolvidas em Bruxelas, na Bélgica, segundo relatório da empresa liberado nesta segunda-feira.

A operação mercantil, que abrange principalmente duas usinas de produção de ferro-níquel da Anglo em Goiás — Barro Alto e Niquelândia (Codemin) —, foi assinado em fevereiro de 2025 por aproximadamente US$ 500 milhões (R$ 2,6 bilhões ao câmbio atual). As duas operações, juntas, têm capacidade para produzir 40 mil toneladas por ano da liga de níquel, que é utilizada como matéria-prima na fabricação de aço inox.
O acordo incluiu ainda dois projetos minerais de níquel para desenvolvimento futuro: Morro Sem Boné, em Mato Grosso, e Jacaré, no Pará. Segundo informação da Anglo American, por ocasião do negócio, o projeto Jacaré tem potencial de cerca de 300 milhões de toneladas de recursos minerais, e Morro Sem Boné, de 65 milhões de toneladas.
Austrália
A MMG, controlada pela gigante estatal China Minmetals, é listada na bolsa de Hong Kong e tem sede administrativa principal em Melbourne, Austrália. A companhia, com receita global na casa de US$ 6,2 bilhões, opera e desenvolve projetos de cobre, zinco e outros metais básicos na Austrália, Botsuana, República Democrática do Congo, Peru e Canadá.
O negócio de ferro-níquel com a Anglo American é o primeiro da MMG no Brasil, onde pretende expandir as operações e desenvolver os projetos Morro Sem Boné e Jacaré, disse Jorge de Carvalho, diretor-geral da MMG Brasil, em entrevista ao diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo.
— Temos uma estratégia de longo prazo para o País e vemos o Brasil com um grande potencial de investimento — disse.
Mercados
O receio da Comissão Europeia ao analisar a aquisição é que o ferro-níquel da Anglo atualmente exportado para países da União Europeia — em torno de um terço do que produz no Brasil —, seja desviado para mercados da Ásia, como a China. Fabricantes de aço inox da UE importam principalmente o produto com “baixo carbono”, que tem valor premium em relação aos de médio e alto carbono.
— Nosso interesse é continuar atendendo clientes de todos os mercados que a Anglo atende, e isso explicitamos em toda a documentação que entregamos à CE — afirmou Carvalho aos jornalistas.
O negócio não traz risco de parar o suprimento à UE, acredita, lembrando que os embarques à região representam um terço das vendas totais e a MMG tem planos de elevar a capacidade de produção em Barro Alto.