Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Canetas emagrecedoras são associadas à cegueira como efeito colateral

A Noia é uma doença age como um infarto no nervo óptico, responsável por conectar o olho ao cérebro.

Domingo, 27 de Setembro de 2026 às 16:59, por: CdB

A Noia é uma doença age como um infarto no nervo óptico, responsável por conectar o olho ao cérebro.

Por Redação, com Reuters – de São Paulo

As canetas emagrecedoras, usadas por muitos pacientes para emagrecer, são investigadas agora, no Brasil, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que analisa 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (Noia). Trata-se de uma lesão rara que pode levar à perda permanente da visão.

Anvisa apura se o uso de semaglutida pode causar cegueira

A Noia é uma doença age como um infarto no nervo óptico, responsável por conectar o olho ao cérebro. Quando os pequenos vasos que irrigam essa região entopem, parte das células nervosas morre, provocando uma piora súbita da visão em um dos olhos (muitas vezes sem recuperação completa).

Um levantamento produzido pelo site de notícias G1 e divulgado neste domingo, mostra que os casos suspeitos envolvem pacientes que usavam as canetas da

Ozempic (5 notificações); Wegovy (3 notificações); Wegovy FlexTouch (2 notificações); Rybelsus (2 notificações); e Mounjaro (1 notificação).

 

Semaglutida

A Anvisa esclarece que o total pode ser recontado de forma diferente conforme o critério: no sistema, as notificações estão separadas entre 12 casos ligados à semaglutida (princípio ativo de Ozempic, Wegovy e Rybelsus) e um caso ligado à tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro).

A Novo Nordisk, fabricante de Ozempic, Wegovy e Rybelsus, afirma que uma análise interna de seus ensaios clínicos não identificou aumento de casos da doença associado à semaglutida, e que a relação entre benefícios e riscos do medicamento continua favorável. Já a Eli Lilly, responsável pelo Mounjaro, diz que mantém monitoramento constante dos dados de segurança de seus produtos, incluindo eventos oftalmológicos.

A Anvisa reforça que os casos ainda estão em fase de apuração. Segundo a agência, o fato de um paciente ter usado o medicamento e desenvolvido a doença não é, por si só, prova de que um tenha causado o outro.

 

Nos EUA

O debate sobre o tema cresceu nesta semana depois que um grupo de pacientes norte-americanos processou a Novo Nordisk alegando risco de perda de visão provocado pela Noia. Os processos foram revelados em reportagem do diário norte-americano The Wall Street Journal.

Falta, ainda, um estudo que comprove definitivamente a relação entre os medicamentos e a doença. O indício mais forte vem de uma pesquisa publicada na revista científica JAMA Ophthalmology, que analisou mais de 1,6 mil prontuários e encontrou um risco de quatro a sete vezes maior de Noia entre pacientes tratados com semaglutida, na comparação com usuários de outros medicamentos.

Os próprios autores do estudo, no entanto, apontam limitações para estabelecer uma relação direta de causa e efeito, já que os pacientes analisados também tinham outras condições, como diabetes, que por si só podem provocar a doença. Mesmo diante dessa incerteza, desde junho de 2025 a Anvisa determinou que a Noia passasse a constar na bula dos medicamentos à base de semaglutida como uma reação adversa muito rara.

 

Histórico

Os 13 casos ligados aos agonistas de GLP-1 fazem parte de um universo maior monitorado pela agência. Desde 2018, o painel de farmacovigilância da Anvisa já registrou 24 suspeitas de neuropatia isquêmica óptica, termo que reúne esse tipo de ocorrência no sistema.

Além da neuropatia óptica, o painel da Anvisa reúne 74 registros de outras complicações visuais associadas ao uso dessas canetas emagrecedoras, distribuídos entre pacientes que usavam Rybelsus (22), Wegovy (19), Mounjaro (17) e Ozempic (16).

A queixa mais comum é a visão turva, com 37 registros, seguida por comprometimento visual, com 29 casos. Também há relatos de redução da acuidade visual, perda de visão central, perda súbita da visão e defeitos no campo visual. Como cada notificação pode descrever mais de um sintoma, o total de registros não corresponde necessariamente ao número de pacientes atingidos pelo efeito colateral.

Tags:
Edições digital e impressa