Escritora é premiada por obra “ousada e criativa” que faz “lúdico e tradição clássica” dialogarem, segundo Academia Sueca. Ela é a 19ª mulher entre os 123 laureados até hoje.
Por Redação, com DW – de Estocolmo
A poeta canadense Anne Carson recebeu o Prêmio Nobel de Literatura deste ano “por sua obra ousada e criativa que, num diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea”, anunciou nesta quinta-feira a Academia Sueca em Estocolmo.

De 76 anos, Carson é uma poetisa, ensaísta classicista e tradutora que dá um toque moderno ao misticismo e à Antiguidade em seus textos sobre amor, desejo e desespero. Ela é a 19ª mulher entre os 123 laureados até hoje.
A Academia afirmou que quase toda a sua produção literária “tem se concentrado na interseção entre a obsessão do filólogo pelas palavras e o desejo do poeta por novos significados”. Destacou seu poema Nox, impresso numa folha contínua de papel em homenagem ao irmão falecido, como “uma obra inesquecível”.
– Ao longo de toda a sua carreira – acrescentou a entidade, a canadense “combinou a escrita de poesia com o trabalho de tradução e o ensino em várias universidades.” Ela já lecionou em várias universidades da América do Norte, incluindo McGill, Michigan, Nova York e Princeton.
Segundo a secretária da Academia Sueca, Ingrid Carlberg, Carson, que recebeu a notícia do prêmio na Islândia, “ficou surpresa, mas muito feliz.” Ela estava entre os mais cotados para o Nobel de Literatura deste ano, ao lado da escritora experimental chinesa Can Xue.
O prêmio é atribuído à pessoa que “tiver produzido no campo da literatura o trabalho mais notável”. Cada vencedor recebe 12 milhões de coroas suecas (R$ 6,1 milhões), independentemente de ser um indivíduo, pequeno grupo de laureados ou organização.
Húngaro
No ano passado, o escritor húngaro László Krasznahorkai recebeu o Nobel de Literatura. Ele é conhecido por seus romances surreais e anárquicos que combinam uma visão sombria do mundo com humor mordaz.
Segundo os jurados, o autor foi premiado por uma obra que reafirma o poder da arte em meio ao “terror apocalíptico”.
Já em 2024, o Nobel de Literatura foi para a autora de romances, ensaios e contos Han Kang, da Coreia do Sul. Ela foi a primeira mulher asiática a ganhar o prêmio.
A Academia Sueca – organizadora do prêmio e composta por 18 escritores, professores e intelectuais – é frequentemente criticada pelo longo histórico de premiação a homens e pela baixa representatividade geográfica dos vencedores na categoria literária.
Até o momento, apenas 33 dos 122 laureados são de fora da Europa. Nunca um brasileiro levou o prêmio.
Em várias ocasiões, o prêmio foi concedido a escritores que se opuseram abertamente aos regimes de seus países de origem, como a escritora bielorrussa Svetlana Alexievich, em 2015. Ela é uma crítica ferrenha do presidente autoritário Alexander Lukashenko.
Outros ganhadores deste ano.
Três prêmios científicos já foram anunciados nesta semana. O Nobel de Medicina foi concedido a três cientistas cujo trabalho levou ao desenvolvimento de uma ferramenta que utiliza a luz para ajudar a desvendar o funcionamento do cérebro.
Já o Nobel de Física reconheceu os esforços de um cientista para esclarecer um raro grupo de neutrinos.
Por sua vez, o Nobel de Química contemplou dois pesquisadores por desvendar misteriosas imagens espelhadas em moléculas, descoberta que contribuiu para o desenvolvimento de inúmeros medicamentos.
A semana das premiações terminará na sexta-feira com o anúncio do Nobel da Paz. O Prêmio Nobel de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel, o fundador do prêmio, será divulgado na próxima segunda-feira.
Em seu testamento, Nobel estipulou que ele deveria ser concedido à pessoa que tivesse realizado “o trabalho mais notável em uma perspectiva idealista”.