Rio de Janeiro, 22 de Setembro de 2026

‘O Brasil não cabe no quintal de ninguém’ avisa Lula, na ONU

Lula classificou como gestos anacrônicos a divisão do mundo em zonas de influência e as investidas neocoloniais por recursos estratégicos.

Terça, 22 de Setembro de 2026 às 16:40, por: CdB

Lula classificou como gestos anacrônicos a divisão do mundo em zonas de influência e as investidas neocoloniais por recursos estratégicos.

Por Redação, com agências internacionais – de Nova York, NY-EUA

Em seu décimo pronunciamento durante a abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mandou um recado objetivo às ambições hegemônicas das grandes potências mundiais, ao destacar que a soberania brasileira e a integração regional não podem ser submetidas a interesses externos.

Lula, ONU
Lula discursou por mais de 40 minutos, na abertura da Assembleia Geral da ONU

— Na América Latina e Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável, sobretudo num contexto do recrudescimento de tentações hegemônicas. O Brasil não cabe no quintal de ninguém. Precisamos de parceiros com uma agenda positiva, que fomentem o desenvolvimento — ressaltou, ao reafirmar que diferenças ideológicas não devem impedir a integração entre os países vizinhos.

Anacrônicos

O presidente relembrou o histórico político do continente para alertar contra retrocessos antidemocráticos e ingerências externas em processos eleitorais.

— Os países da região reconheceram os horrores do regime de exceção. Percorremos um longo caminho para restaurar a vontade popular. A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais — afirmou.

Lula classificou como gestos anacrônicos a divisão do mundo em zonas de influência e as investidas neocoloniais por recursos estratégicos. No cenário regional, o líder brasileiro repassou as diferentes crises locais e sublinhou que “o povo venezuelano merece decidir seu próprio destino”; além de ressaltar que “a Nicarágua não vai resolver seus problemas impedindo a oposição de disputar eleições”.

Cuba

Sobre o Haiti, advertiu que a situação continua testando os limites da indiferença internacional. Já em relação a Cuba, criticou duramente as sanções econômicas: “o mundo assiste estarrecido à punição coletiva imposta a 10 milhões de pessoas por um embargo econômico e um cerco energético ilegais”.

Sobre a segurança pública e do combate ao crime organizado, o presidente rejeitou propostas de militarização estrangeira no território e defendeu parcerias baseadas no combate ao financiamento ilícito.

— O Brasil não subestima o desafio representado pelo crime organizado. Estamos preparados para enfrentar as organizações criminosas que aterrorizam nossas comunidades. Trabalhadores são roubados, mães perdem seus filhos, policiais não voltam para casa. As pessoas estão cansadas da violência. Mas não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossa fronteira e garantir à população o direito de viver sem medo — observou.

Criminalidade

Lula enfatizou que a solução para a criminalidade transnacional não passa por exibições de força militar.

— Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e dinheiro que abastecem o crime organizado. Esse é o espírito da proposta que entreguei pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos — definiu, ao apostar a necessidade de combater a lavagem de dinheiro realizada por criminosos brasileiros no exterior.

O chefe de Estado brasileiro, por fim, detalhou as ações estruturais tomadas pelo governo para enfrentar a criminalidade internamente e em cooperação com países vizinhos. E citou a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, reunindo autoridades dos nove países amazônicos, e ressaltou que em 2025 o país realizou a maior operação contra o crime de sua história, com recordes de apreensão de drogas, bens e recursos ilícitos.

— Estamos enfrentando todos os escalões da criminalidade, inclusive os magnatas do crime. A Lei Antifacção que acabamos de aprovar impõe ao crime penas superiores às previstas para o terrorismo — concluiu Lula.

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