Rio de Janeiro, 15 de Março de 2026

Bombardeios dos EUA e Israel afetam saúde mental da população iraniana

Os bombardeios dos EUA e Israel provocam mudanças drásticas na saúde mental da população iraniana, exacerbando problemas como estresse, ansiedade e depressão.

Domingo, 15 de Março de 2026 às 14:28, por: CdB

Nas pessoas afetadas, “pode-se observar uma mudança na percepção sobre o quão seguro é o mundo e sobre como elas enxergam suas próprias vidas”.

Por Redação, com DW – de Berlim

De um dia para o outro, os iranianos passaram a viver numa zona de guerra, e os ataques de Israel e dos EUA estão mirando não apenas Teerã, mas vários outros lugares em todo o país. Com o agravante das sanções econômicas internacionais, que tornam a vida cotidiana mais difícil e piora a situação econômica de muitas pessoas no país, a vida sob estresse constante pesa na saúde mental da população.

Bombardeios dos EUA e Israel afetam saúde mental da população iraniana | A saúde mental dos iranianos está sob alta pressão, em face da guerra
A saúde mental dos iranianos está sob alta pressão, em face da guerra

— Problemas de saúde mental, especialmente transtorno de estresse pós-traumático, transtornos de ansiedade, depressão, são maiores entre pessoas expostas cronicamente à violência — disse à agência alemã de notícias Deutsche Welle (DW) a psicóloga Dana Churbaji, que pesquisa os efeitos da guerra e do deslocamento forçado na saúde mental.

Nas pessoas afetadas, “pode-se observar uma mudança na percepção sobre o quão seguro é o mundo e sobre como elas enxergam suas próprias vidas”.

 

Prioridade

Alguém que sofre com frio, medo ou fome tem uma tolerância ao estresse muito menor, e conflitos e desentendimentos menores podem rapidamente se tornar algo grande. Para aqueles que vivem com incertezas na vida cotidiana, como quedas de energia, “falta de alimentos ou perda de comunicação digital, as necessidades básicas tornam-se prioridade”, segundo Churbaji.

— Quando essas necessidades básicas não são atendidas, há surtos de violência mais frequentes dentro da família. Isso afeta as relações sociais, que na verdade são o fator principal de resiliência — acrescenta a psicóloga.

Ou seja, pessoas com conexões sociais estáveis, que tem com quem desabafar, têm menor risco de desenvolver transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Se esse fator protetor está ausente, o risco aumenta.

 

Sobrevivência

Numa situação aguda de estresse, muitas pessoas não apresentam sintomas de TEPT porque seus cérebros estão em “modo de sobrevivência”. Quando precisam fugir de seu país para proteger a si mesmas e seus entes queridos, elas focam nas necessidades emergenciais. O TEPT geralmente se desenvolve depois, explica Churbaji.

— Quando o cérebro tenta processar o passado, surgem os sintomas do TEPT. E esses sintomas atrapalham os esforços da pessoa para reconstruir seu bem-estar após uma experiência de fuga — analisa.

Pessoas com transtorno de estresse pós-traumático costumam evitar pensar sobre a experiência traumática, apresentam reações extremas a certos “gatilhos de memória”, sofrem com flashbacks ou “memórias intrusivas” (que, para o afetado, dão a impressão de que a experiência traumática está acontecendo novamente), mudam de temperamento e passam a tender à desconfiança e ao cinismo, tem sentimentos intensos de culpa (a chamada ‘culpa do sobrevivente’) e tem distúrbios do sono e dificuldade de concentração.

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