Rio de Janeiro, 02 de Outubro de 2026

Bloqueios estudantis persistem e atingem 560 escolas na França

Apesar da proibição do governo, protestos estudantis contra a falta de recursos já afetam mais de 560 escolas na França.

Sexta, 02 de Outubro de 2026 às 13:02, por: CdB

Apesar da proibição do governo, protestos estudantis contra a falta de recursos já afetam mais de 560 escolas na França.

Por Redação, com RFI – de Paris

Centenas de escolas de ensino médio estão fechadas nesta sexta-feira na França, após mais de 10 dias de protestos estudantis que deixaram dezenas de funcionários do setor da educação feridos e quase dois mil detidos, informaram as autoridades. Os manifestantes reclamam de jornadas excessivamente longas, de condições inadequadas nas salas de aula e de ausências de professores.

Estudantes do ensino médio protestam em frente ao liceu Voltaire, em Paris, nesta sexta-feira

Segundo o Ministério da Educação Nacional da França, ao meio-dia desta sexta-feira, 564 estabelecimentos de ensino do total de 3,7 mil estavam afetados por manifestações ou interrupções. Mais cedo, o governo anunciou o fechamento de 400 escolas diante das quais o ministro do Interior, Laurent Nunez, declarou que está proibida a realização de manifestações.

O movimento começou na semana passada na região de Paris e se espalhou rapidamente por todo o país entre os alunos que estão na etapa final do Ensino Médio. Na quinta-feira, universitários aderiram à mobilização. Muitas instituições decidiram manter as aulas de forma remota.

– Hoje, nossa escola está bloqueada por causa da falta de recursos: faltam professores, não há mesas suficientes. Não temos enfermeiras nem inspetores, e tudo o que fazem conosco é tirar nossos celulares – resume Juliette Masson, estudante de 17 anos do último ano do ensino médio da escola Clémenceau, em Montpellier, no sul da França. 

Incêndios

Durante os protestos, os estudantes bloqueiam os acessos às escolas e protagonizam, em algumas ocasiões, confrontos com a polícia. Nas redes sociais viralizaram imagens de barricadas em chamas e veículos incendiados, bem como de intervenções truculentas de policiais.

Na manhã desta sexta-feira, os bombeiros de Paris foram acionados para extinguir as chamas diante do liceu Léonard-de-Vinci, no 15º distrito, no sul da capital. Na entrada da escola técnica Gaston-Bachelard, no 13º distrito, sudeste da capital, bicicletas e lixeiras foram incendiadas.

O governo do presidente de centro-direita do presidente Emmanuel Macron reconhece que as reivindicações dos estudantes são legítimas, mas denuncia a violência dos protestos. Pelo menos 65 profissionais da educação ficaram feridos nas manifestações, incluindo 40 diretores de escolas, informou o ministro da Educação, Édouard Geffray. 

O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, afirmou que pediu aos promotores que responsabilizem os pais pelos danos causados pelos filhos durante as manifestações e que “paguem pelos reparos”.

Esquerda radical

Diante da situação, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu anunciou, na quinta-feira, a criação de uma célula interministerial de crise. Ao término da reunião, o gabinete do premiê avaliou que o movimento havia evoluído para “violência urbana” e afirmou que o partido da esquerda radical França Insubmissa (LFI) e seus aliados da ultraesquerda estão “na origem do movimento”.

O coordenador do LFI, Manuel Bompard, acusou o governo de “cair no conspiracionismo”. Ele lembrou que o movimento nasceu de uma mobilização em um colégio de ensino médio em Créteil, na região metropolitana de Paris, “onde faltavam três professores, uma vice-diretora, uma assistente social e uma psicóloga escolar”.

Nesse contexto explosivo, o governo desistiu de cobrar taxas de matrícula aos cursos técnicos e às classes preparatórias para instituições do ensino superior conhecidas como “Grandes Escolas”, medida que estava prevista no projeto de orçamento para 2027.

Na tentativa de retomar o diálogo, o ministro da Educação se reúne nesta sexta-feira com representantes de sindicatos da educação, associações estudantis do ensino médio, além de representantes de organizações de famílias de alunos.

As organizações anunciaram a continuidade do movimento antes de uma grande manifestação marcada para a próxima terça-feira.

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