Motorista do caminhão que avançou contra multidão é um francês de origem tunisiana de 31 anos. Motivos não estão claros, mas autoridades destacam presença jihadista na cidade turística no sul da França
Por Redação, com DW - de Paris: O motorista do caminhão que avançou contra uma multidão em Nice, no sul da França, matando ao menos 84 pessoas, foi formalmente identificado, disseram fontes policiais na manhã desta sexta-feira. Trata-se de um francês de origem tunisiana de 31 anos de idade. Identificado como Mohamed Lahouaiej Bouhlel, o agressor não estava na lista de vigilância dos serviços de inteligência franceses, mas era conhecido pela polícia por ligação com crimes comuns, como roubo e violência com arma, disseram as fontes, citadas por agências de notícias. Os documentos do homem, que vivia em Nice, foram encontrados no caminhão.
Nice, com 350 mil habitantes, tem um histórico de resort aristocrático, mas também viu dezenas de seus moradores viajarem para a Síria para lutar ao lado de extremistas, caminho seguido por outros autores de atentados do "Estado Islâmico" (EI) na Europa. Nem o local nem a data são coincidência, disse Claude Moniquet, ex-agente da inteligência francesa e consultor de segurança, ressaltando que a presença jihadista em Nice e o fato de que o 14 de Julho marca a Revolução Francesa.
Na madrugada, o presidente da França, François Hollande, afirmou que "o caráter terrorista" do ataque com um caminhão em Nice "não pode ser negado".
Em curto pronunciamento na televisão, o chefe de Estado disse ainda que vai prorrogar por mais três meses o estado de emergência que vigora na França desde os atentados de 13 de Novembro. Horas antes ele havia dito que o estado de emergência iria terminar no próximo dia 26 de julho, depois de já ter sido prorrogado três vezes pelo Parlamento.
– A França como um todo está sendo atacada pelo terrorismo islâmico – afirmou Hollande. "Vamos mostrar a mais absoluta vigilância e determinação. Temos de fazer de tudo para lutar contra o flagelo do terrorismo."
Na manhã de sexta-feira, o primeiro-ministro, Manuel Valls, anunciou três dias de luto nacional.