Rio de Janeiro, 30 de Setembro de 2026

Ataques à santa e à CNBB são uma prática recorrente dos Bolsonaros, diz estudo

O levantamento também reúne ocorrências de natureza mais grave, entre elas ameaças, intimidação em celebrações religiosas e um episódio de monitoramento de bispos descrito em investigação da Polícia Federal.

Quarta, 30 de Setembro de 2026 às 18:30, por: CdB

O levantamento também reúne ocorrências de natureza mais grave, entre elas ameaças, intimidação em celebrações religiosas e um episódio de monitoramento de bispos descrito em investigação da Polícia Federal.

Da Redação – de Brasília

Um estudo realizado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), divulgado nesta quarta-feira, aponta que acusações de alinhamento político, deslegitimação religiosa, campanhas de boicote e episódios de intimidação contra bispos têm sido registrados de forma recorrente desde ao menos 2018. O relatório reúne casos ocorridos ao longo de oito anos e mostra que a controvérsia ganhou novo impulso em setembro de 2026, após declarações do candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL) — ou filho ’01’ como também é conhecido.

Jair Bolsonaro e seus três filhos: Eduardo (E), Flávio e Carlos
Jair Bolsonaro e seus três filhos: Eduardo (E), Flávio e Carlos

As informações constam do relatório ‘Ataques à CNBB e aos seus bispos — recorrência, intimidação e disputa política’, que compila registros institucionais, reportagens e publicações em redes sociais entre 2018 e 27 de setembro de 2026. O próprio documento ressalta que a pesquisa é dirigida e não exaustiva e que a recorrência de autores e argumentos não comprova, isoladamente, uma coordenação única entre todos os episódios.

De acordo com os dados levantados, os ataques se repetem em torno de alguns eixos: associação da CNBB ao PT e ao comunismo; questionamentos sobre o destino de recursos de campanhas religiosas; e acusações de heresia ou desvio doutrinário e tentativas de desmobilizar iniciativas como a Campanha da Fraternidade. O levantamento também reúne ocorrências de natureza mais grave, entre elas ameaças, intimidação em celebrações religiosas e um episódio de monitoramento de bispos descrito em investigação da Polícia Federal.

Reação

O episódio mais recente registrado pelo relatório ocorreu no início desta semana. Durante uma carreata em Goiânia, Flávio Bolsonaro afirmou que pessoas ligadas à CNBB teriam colaborado para a disseminação da informação de que ele pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

— O PT, eu sei hoje, já estava havia alguns dias tentando levantar essa fake news, conseguiu com a ajuda de gente de dentro da CNBB, infelizmente essa realidade — declarou o candidato a jornalistas.

O relatório registra duas frases de Flávio durante a entrevista: “conseguiu com a ajuda de gente de dentro da CNBB” e “liberou a liga da mentira do PT a atuar livremente”. O documento ressalta que as declarações são distintas: a primeira atribui participação a pessoas da instituição, enquanto a segunda se refere ao PT.

Em seguida, a CNBB divulgou uma nota de esclarecimento em que negou ter produzido, autorizado ou participado da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao processo eleitoral.

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