Ele assume o lugar do premiê Keir Starmer, que perdeu o apoio de seus correligionários, e tomará posse do governo britânico na próxima segunda-feira.
Por Redação, com ANSA – de Londres
O Partido Trabalhista do Reino Unido proclamou nesta sexta-feira o deputado e ex-prefeito da Grande Manchester Andy Burnham, de 56 anos, como seu novo líder.

Ele assume o lugar do premiê Keir Starmer, que perdeu o apoio de seus correligionários, e tomará posse do governo britânico na próxima segunda-feira.
A nomeação foi anunciada durante uma assembleia especial do Partido Trabalhista em Londres, por Shabana Mahmood, secretária do Interior na gestão Starmer e presidente do Comitê Executivo Nacional da legenda.
Segundo Mahmood, Burnham angariou o apoio de 379 dos 403 deputados trabalhistas e de todos os sindicatos ligados ao partido. Como não tem concorrentes, ele não precisará se submeter ao voto dos filiados trabalhistas.
– Estou pronto para governar e promover uma política de mudança após 40 anos de neoliberalismo que não foram gentis”, disse o futuro premiê em seu discurso. “Essa é nossa última chance de mudar – acrescentou.
Pelo fato de o Reino Unido ser uma monarquia parlamentarista, o partido com maioria na Câmara dos Comuns — caso dos trabalhistas — tem a prerrogativa de indicar o primeiro-ministro sem a necessidade de convocar eleições antecipadas.
Crise
No poder há dois anos, após uma década e meia de governos conservadores, Starmer renunciou devido a uma série de polêmicas que desgastaram sua imagem, incluindo a derrota trabalhista nas eleições municipais de maio e a nomeação de Peter Mandelson, amigo do finado financista pedófilo Jeffrey Epstein, como embaixador nos Estados Unidos.
Burnham é natural de Aintree, na região metropolitana de Liverpool, e filho de uma família operária e católica. Ele chegou a ser coroinha antes de se filiar ao Partido Trabalhista, aos 15 anos, e, mesmo não sendo praticante, diz ter sido influenciado pela doutrina social da Igreja. Ele será o primeiro premiê abertamente católico no Reino Unido, país majoritariamente protestante.
Formado em literatura inglesa pela Universidade de Cambridge, Burnham é casado com sua antiga companheira de estudos Marie-France “Frankie” van Heel, holandesa, ex-jornalista e hoje gestora na área de marketing. Os dois têm três filhos: Jimmy, Rosie e Annie.
Apaixonado por música e esportes — toca guitarra, joga futebol e torce para o Everton — , Burnham é conhecido pelo jeito próximo e simples com as pessoas. Sua trajetória política começou cedo: foi assistente parlamentar e, em 2001, aos 31 anos, elegeu-se deputado na Câmara dos Comuns.
Integrante da ala progressista moderada do partido, a chamada “soft left” (“esquerda suave”), ele inicialmente apoiou as pautas pró-mercado do New Labour, o bloco mais à direita liderado por Tony Blair, e ocupou cargos como subsecretário de Estado. Foi com Gordon Brown, porém, que alcançou as secretarias da Cultura e da Saúde (equivalente britânico aos ministérios), retomando uma visão mais favorável à intervenção estatal.
Após a derrota trabalhista nas eleições de 2010 e o retorno à oposição, Burnham tentou pela primeira vez a liderança do partido, mas ficou em quarto lugar entre cinco candidatos.
Alinhou-se então ao vencedor, Ed Miliband, também da “soft left”. Nova tentativa em 2015: era favorito, mas acabou em segundo, muito atrás do ultraesquerdista Jeremy Corbyn. Burnham foi contra o Brexit, mas hoje diz querer superar o tema com uma reaproximação parcial à União Europeia, descartando um retorno pleno ao bloco em um horizonte de 20 a 30 anos.
Em 2017, Burnham deixou Westminster para disputar e vencer a eleição para prefeito da Grande Manchester, uma região pós-industrial marcada pelo declínio desde a era Thatcher.
Reeleito duas vezes com amplo apoio popular, aproveitou o cargo para consolidar sua imagem e enraizamento político, a ponto de ser apelidado de “rei do Norte”.
Foi ele quem enfrentou o governo conservador de Boris Johnson durante a pandemia de covid-19 e construiu o chamado “modelo Manchester”, um laboratório político baseado em inovação, reindustrialização parcial e expansão imobiliária com parcerias privadas, mas sem abrir mão de forte presença estatal em áreas como educação, serviços públicos e transporte.
Recentemente, venceu a eleição supletiva para o Parlamento no distrito de Makerfield, contendo o avanço da direita populista de Nigel Farage, e abriu caminho para se tornar o novo premiê do Reino Unido.