Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Uma mulher latinoamericana na direção da ONU?

Por Rui Martins - A tendência, embora por poucos votos, é em direção à escolha da ex-vice-presidente costa-riquenha e ex-secretária geral da UNCTAD Rebeca Grynspan, seguida de perto pela ex-ministra das Relações Exteriores da Guiana, Carolyn Rodrigues Birkett.

Sábado, 26 de Setembro de 2026 às 06:55, por: Rui Martins

O último discurso de Antonio Guterres como secretário-geral da ONU marcou um momento de transição: no próximo ano, talvez, seu lugar será ocupado por uma mulher. Não é certo, existe um movimento nessa direção, porém não se pode esquecer que existem muitos países que não reconhecem a igualdade das mulheres com os homens. Entretanto, o atual Conselho de Segurança, responsável pela triagem gradativa dos candidatos, é integrado atualmente por países sem essa restrição.

Por Rui Martins – editor do Direto da Redação
A ONU poderá ter uma mulher latinoamericana na direção

Essa situação favorável a uma candidatura feminina é provavelmente a responsável pela existência de diversas candidatas e apenas três candidatos. A imprensa em geral praticamente aposta na escolha de uma primeira secretária-geral da ONU, que deverá ser eleita pela Assembleia Geral em novembro ou mesmo em dezembro.

Na semana passada, os membros do Conselho de Segurança votaram secretamente, pela terceira vez, no processo de chegarem a uma maioria para indicação de um só nome à Assembleia Geral.

Os resultados dessa terceira votação, que acabam de ser conhecidos, derrubaram o favoritismo da ex-presidenta do Chile, Michelle Bachelet, ex-Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos. Diante disso e por ter perdido o apoio de seu país, agora dirigido pelo presidente de direita José Antonio Kast, Bachelet retirou sua candidatura. Como se vê, a posição política tem muita importância nessa eleição, mas existe também o fator de alternância regional, que embora não obrigatório, favorece desta vez América Latina e Caribe.

Por isso, a tendência, embora por poucos votos, é em direção à escolha da ex-vice-presidente costa-riquenha e ex-secretária geral da UNCTAD Rebeca Grynspan, seguida de perto pela ex-ministra das Relações Exteriores da Guiana, Carolyn Rodrigues Birkett. Nesta época de grande antissemitismo, é ainda prematuro contar com a escolha de Rebeca Grynspan, pois é filha de judeus fugidos da Shoah, nome que designa o extermínio de seis milhões de judeus pela Alemanha nazista.

São também candidatas menos votadas Maria Fernanda Espinosa, ex-chanceler equatoriana, e Ivonne A-Baki, ex-ministra do Comércio do Equador.

Há ainda três nomes masculinos, em seguida: o do ugandês Olara Otunnu, ex-secretário-geral adjunto da ONU e representante especial junto às crianças e conflitos armados; segue-se o argentino Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de energia Atômica; e por último, o ex-presidente do Senegal, Macky Sall.

Quem vencer assumirá o cargo no dia 1º de janeiro de 2027.

Dez membros não-permanentes do Conselho de Segurança participam da escolha, mas os cinco países membros permanentes podem se opor utilizando o direito ao veto. Donald Trump tentou, sem conseguir, impor um candidato, o coordenador do Conselho da Paz recém-criado, o búlgaro Nickolay Mladenov, ex-ministro da Defesa e das Relações Exteriores da Bulgária.

Quem for escolhida (o) irá dirigir uma ONU enfraquecida, dividida, quase inativa e com seus recursos bastante diminuídos depois dos cortes das verbas americanas, decididas pelo presidente Trump. Problemas que a ONU tem pela frente para ajudar o mundo a resolver: a mudança climática, a proliferação das armas nucleares, o respeito aos tratados internacionais com o restabelecimento da paz que as grandes potências não respeitam e os desafios da Inteligência Artificial. (Publicado originalmente no Observatório da Imprensa, versão sonora no Youtube no link https://youtu.be/jZt4mfCf_kw ) 

Tags:
Edições digital e impressa