Caso ocorreu durante um jogo universitário na tarde do último sábado em que times de ambas as universidades se enfrentavam. A reitoria determinou que a Faculdade de Direito inicie a apuração dos fatos.
Por Redação, com CartaCapital – de São Paulo
Alunos da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo foram acusados de racismo após chamarem estudantes negros da Universidade de São Paulo de “cotistas filhos da puta” e “pobres” durante uma partida de handebol nos Jogos Jurídicos, realizada no último sábado, em Americana, interior de São Paulo.

O caso ganhou destaque nas redes sociais após a circulação de um vídeo da disputa entre a USP e a PUC. Nas imagens, é possível ver estudantes da Pontifícia na arquibancada gritando frases de cunho pejorativo e fazendo gestos que simulam dinheiro, além de encenarem o lançamento de cédulas contra os adversários.
A vereadora Luana Alves e a deputada federal Sâmia Bomfim, ambas do PSOL-SP, protocolaram uma denúncia no Ministério Público de São Paulo, solicitando a abertura de um inquérito para investigar os atos racistas praticados.
No documento, as parlamentares destacam que as referidas ofensas “transcendem o ambiente de rivalidade esportiva e configuram um comportamento discriminatório que associa a condição socioeconômica e racial de estudantes cotistas a uma suposta inferioridade.
Tais atitudes configuram violação aos direitos fundamentais e ferem diretamente os valores da dignidade humana e da igualdade. (…) O ato de ridicularizar os atletas universitários, utilizando referências às cotas e à pobreza, como se tais elementos fossem motivo de escárnio, tem como objetivo reforçar hierarquias raciais preexistem”.
Denúncia
A denúncia solicita a abertura de um inquérito policial, com oitiva das testemunhas e análise dos vídeos do evento e a aplicação de medidas judiciais cabíveis, incluindo a denúncia criminal contra os envolvidos após a apuração. As parlamentares também solicitam que seja a investigação não ocorra em sigilo e seja permito o acompanhamento, dada a relevância social e jurídica do caso.
Em nota, a PUC-SP afirmou repudiar com veemência toda e qualquer forma de violência, racismo e aporofobia, lamentando profundamente o ocorrido no sábado, 16. A Pontifícia reforçou que manifestações discriminatórias são vedadas pelo regimento interno, “além de serem inadmissíveis e incompatíveis com os princípios e valores da Instituição”. A reitoria determinou que a Faculdade de Direito inicie a apuração dos fatos.
Universidade Federal do Rio
A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), conseguiu suspender na Justiça, na última quarta-feira, os cortes de energia elétrica, em várias unidades da instituição de ensino pela Light, devido por falta de pagamento de dívidas atrasadas.
Na decisão, o desembargador Alcides Martins, do Tribunal Regional Federal da Segunda Região (TRF-II), determinou que a “Light se abstenha de interromper o fornecimento de energia nas instalações da UFRJ e realize o religação imediata nas instalações que sofreram corte de luz”.
O magistrado levou em consideração o caráter essencial das atividades acadêmicas e de assistência oferecidas pela UFRJ. Ontem, a Light cortou a luza de 15 prédios da instituição por atraso no pagamento das contas de luz.
A dívida total da UFRJ com a Light soma R$ 31,8 milhões, referente a faturas vencidas entre março e novembro de 2024, além de R$ 3,9 milhões em parcelas não quitadas de um acordo firmado em 2020. Na época, a Light e a reitoria da universidade pactuaram o parcelamento de uma dívida de R$ 21,3 milhões; contudo, apenas R$ 13 milhões foram pagos até o momento.
Em uma aula aberta, com a presença do corpo docente, de estudantes e do sindicato dos trabalhadores de educação, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, apresentou um panorama do posicionamento estratégico da universidade no desenvolvimento do país, bem como dos constantes cortes no orçamento da instituição.
– Neste prédio que estamos, se faz ensino, pesquisa e extensão de qualidade. Aqui se formou Portinari. Aqui se formou Oscar Niemeyer. Como pode este prédio estar sem luz? – lembrou o reitor, ao destacar também que atualmente quase 60% dos alunos de graduação da UFRJ são oriundos de ações afirmativas, cotas étnico-raciais e socioeconômicas. “Muitos desses alunos, se a UFRJ parar, não conseguirão se formar”, alertou.
Corte de água
A decisão da Justiça não atende ao corte no fornecimento de água realizada pela concessionária Águas do Rio. A interrupção no abastecimento atingiu diversos pontos do campus, entre eles, o restaurante e a residência estudantil.
Em nota, a UFRJ informou que foi surpreendida, nessa quarta-feira, pelo corte no fornecimento de água no prédio da Reitoria, nas instalações da prefeitura universitária, no restaurante universitário e na residência estudantil. “A UFRJ, que estava em negociações com a concessionária, busca meios para restabelecer o fornecimento de água à Universidade”.