Rio de Janeiro, 04 de Abril de 2025

Estudantes da PUC são denunciados por racismo contra cotistas da USP

Caso ocorreu durante um jogo universitário na tarde do último sábado em que times de ambas as universidades se enfrentavam. A reitoria determinou que a Faculdade de Direito inicie a apuração dos fatos.

Segunda, 18 de Novembro de 2024 às 13:31, por: CdB

Caso ocorreu durante um jogo universitário na tarde do último sábado em que times de ambas as universidades se enfrentavam. A reitoria determinou que a Faculdade de Direito inicie a apuração dos fatos.

Por Redação, com CartaCapital – de  São Paulo

Alunos da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo foram acusados de racismo após chamarem estudantes negros da Universidade de São Paulo de “cotistas filhos da puta” e “pobres” durante uma partida de handebol nos Jogos Jurídicos, realizada no último sábado, em Americana, interior de São Paulo.

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Alunos da PUC gritam ofensas racistas contra alunos negros da USP durante jogos universitários

O caso ganhou destaque nas redes sociais após a circulação de um vídeo da disputa entre a USP e a PUC. Nas imagens, é possível ver estudantes da Pontifícia na arquibancada gritando frases de cunho pejorativo e fazendo gestos que simulam dinheiro, além de encenarem o lançamento de cédulas contra os adversários.

A vereadora Luana Alves e a deputada federal Sâmia Bomfim, ambas do PSOL-SP, protocolaram uma denúncia no Ministério Público de São Paulo, solicitando a abertura de um inquérito para investigar os atos racistas praticados.

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No documento, as parlamentares destacam que as referidas ofensas “transcendem o ambiente de rivalidade esportiva e configuram um comportamento discriminatório que associa a condição socioeconômica e racial de estudantes cotistas a uma suposta inferioridade.

Tais atitudes configuram violação aos direitos fundamentais e ferem diretamente os valores da dignidade humana e da igualdade. (…) O ato de ridicularizar os atletas universitários, utilizando referências às cotas e à pobreza, como se tais elementos fossem motivo de escárnio, tem como objetivo reforçar hierarquias raciais preexistem”.

Denúncia

A denúncia solicita a abertura de um inquérito policial, com oitiva das testemunhas e análise dos vídeos do evento e a aplicação de medidas judiciais cabíveis, incluindo a denúncia criminal contra os envolvidos após a apuração. As parlamentares também solicitam que seja a investigação não ocorra em sigilo e seja permito o acompanhamento, dada a relevância social e jurídica do caso.

Em nota, a PUC-SP afirmou repudiar com veemência toda e qualquer forma de violência, racismo e aporofobia, lamentando profundamente o ocorrido no sábado, 16. A Pontifícia reforçou que manifestações discriminatórias são vedadas pelo regimento interno, “além de serem inadmissíveis e incompatíveis com os princípios e valores da Instituição”. A reitoria determinou que a Faculdade de Direito inicie a apuração dos fatos.

Universidade Federal do Rio

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), conseguiu suspender na Justiça, na última quarta-feira, os cortes de energia elétrica, em várias unidades da instituição de ensino pela Light, devido por falta de pagamento de dívidas atrasadas.

Na decisão, o desembargador Alcides Martins, do Tribunal Regional Federal da Segunda Região (TRF-II), determinou que a “Light se abstenha de interromper o fornecimento de energia nas instalações da UFRJ e realize o religação imediata nas instalações que sofreram corte de luz”.

O magistrado levou em consideração o caráter essencial das atividades acadêmicas e de assistência oferecidas pela UFRJ. Ontem, a Light cortou a luza de 15 prédios da instituição por atraso no pagamento das contas de luz.

A dívida total da UFRJ com a Light soma R$ 31,8 milhões, referente a faturas vencidas entre março e novembro de 2024, além de R$ 3,9 milhões em parcelas não quitadas de um acordo firmado em 2020. Na época, a Light e a reitoria da universidade pactuaram o parcelamento de uma dívida de R$ 21,3 milhões; contudo, apenas R$ 13 milhões foram pagos até o momento.

Em uma aula aberta, com a presença do corpo docente, de estudantes e do sindicato dos trabalhadores de educação, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, apresentou um panorama do posicionamento estratégico da universidade no desenvolvimento do país, bem como dos constantes cortes no orçamento da instituição.

– Neste prédio que estamos, se faz ensino, pesquisa e extensão de qualidade. Aqui se formou Portinari. Aqui se formou Oscar Niemeyer. Como pode este prédio estar sem luz? – lembrou o reitor, ao destacar também que atualmente quase 60% dos alunos de graduação da UFRJ são oriundos de ações afirmativas, cotas étnico-raciais e socioeconômicas. “Muitos desses alunos, se a UFRJ parar, não conseguirão se formar”, alertou.

Corte de água

A decisão da Justiça não atende ao corte no fornecimento de água realizada pela concessionária Águas do Rio. A interrupção no abastecimento atingiu diversos pontos do campus, entre eles, o restaurante e a residência estudantil.

Em nota, a UFRJ informou que foi surpreendida, nessa quarta-feira, pelo corte no fornecimento de água no prédio da Reitoria, nas instalações da prefeitura universitária, no restaurante universitário e na residência estudantil. “A UFRJ, que estava em negociações com a concessionária, busca meios para restabelecer o fornecimento de água à Universidade”.

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