Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Zoellick revela planos de países ricos para aumentar capital do Bird

Os líderes financeiros do mundo terão nesta semana negociações polêmicas sobre como modificar o sistema de votação no Banco Mundial (Bird) para dar mais poder a potências emergentes como a China e o Brasil, prelúdio a uma batalha maior no Fundo Monetário Internacional (FMI). (Leia Mais)

Segunda, 19 de Abril de 2010 às 09:35, por: CdB

Os líderes financeiros do mundo terão nesta semana negociações polêmicas sobre como modificar o sistema de votação no Banco Mundial (Bird) para dar mais poder a potências emergentes como a China e o Brasil, prelúdio a uma batalha maior no Fundo Monetário Internacional (FMI). O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, disse em entrevista à agência inglesa de notícias Reuters que esses planos serão discutidos junto a negociações para um aumento de capital de 3,5 bilhões de dólares na instituição – o primeiro em mais de 20 anos –, com fundos vindos de países ricos e emergentes.

Isso ajudaria o Banco Mundial a recuperar suas finanças depois da grande quantidade de empréstimos feitos durante a crise financeira para ajudar os países em desenvolvimento a lidar com a diminuição da demanda global e com a forte queda nos fluxos de capital privado. A reforma do sistema de votação no banco, que geraria mais 1 bilhão de dólares em capital novo, é politicamente complicada porque significa que países, especialmente os da Europa, teriam de desistir de parte do seu poder de voto a favor dos países em desenvolvimento.

A Grã-Bretanha, um dos maiores contribuidores do Banco Mundial, está no meio de eleições nacionais e existem preocupações de que não possa tomar uma posição até a votação, em 6 de maio. Mesmo os países nórdicos, tradicionalmente generosos em sua ajuda para o desenvolvimento, estão relutantes em aceitar um menor poder de voto.

Líderes do Grupo das 20 maiores nações desenvolvidas e em desenvolvimento (G20) concordaram, em reuniões em Pittsburgh no ano passado, em uma mudança de 3% no poder geral de votação no Banco Mundial e de pelo menos 5% no FMI.

As economias emergentes, que querem uma mudança de 6% no poder de voto no banco, expressaram sua preocupação de que será difícil conseguir 3%.

– Eu não acho que nós conseguiremos mais de 3 – disse uma autoridade brasileira à Reuters.

O G20 pressionou para que haja um acordo sobre o poder de voto no Banco Mundial na reunião desta semana e que ele coincida com um aumento de capital maior para a instituição. A mudança no sistema de votação no FMI será decidida no início do ano que vem. O Banco Mundial e o FMI disseram no domingo que esperam prosseguir com as reuniões de líderes financeiros de 22 a 25 de abril, apesar dos cancelamentos de voos na Europea devido a cinzas vulcânicas.

Recorde

Como outros bancos de desenvolvimento, o Banco Mundial comprometeu somas recordes de fundos – mais de US$ 100 bilhões nos últimos 18 meses – para ajudar países em desenvolvimento afetados pelo colapso do comércio global e pela redução do acesso a crédito durante a crise. Zoellick disse que a demanda por assistência financeira deve diminuir à medida que a economia se recupera, mas que nada é certo.

– A força da recuperação é um ponto de interrogação sério – disse ele aos jornalistas, antes das reuniões.

Com os orçamentos dos países ricos apertados pela crise financeira e pelos crescentes níveis de dívida pública, Zoellick abordou o incremento de recursos em duas fases: através de um aumento geral de capital – o primeiro em mais de 20 anos – e por meio de ajustes nas cotas dos membros.

A última medida aumentaria o poder de voto de países em desenvolvimento de maior crescimento reconhecido pelo Banco, como Índia, China, Rússia e Brasil, e também dos mais pobres na África e na América Latina.

– As pessoas estão querendo o aumento de capital e eu acho que estão mirando cerca de US$ 3,5 bilhões para isso. Isso, para mim, seria um bom resultado – concluiu.

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