Os líderes financeiros do mundo terão nesta semana negociações polêmicas sobre como modificar o sistema de votação no Banco Mundial (Bird) para dar mais poder a potências emergentes como a China e o Brasil, prelúdio a uma batalha maior no Fundo Monetário Internacional (FMI). O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, disse em entrevista à agência inglesa de notícias Reuters que esses planos serão discutidos junto a negociações para um aumento de capital de 3,5 bilhões de dólares na instituição – o primeiro em mais de 20 anos –, com fundos vindos de países ricos e emergentes.
Isso ajudaria o Banco Mundial a recuperar suas finanças depois da grande quantidade de empréstimos feitos durante a crise financeira para ajudar os países em desenvolvimento a lidar com a diminuição da demanda global e com a forte queda nos fluxos de capital privado. A reforma do sistema de votação no banco, que geraria mais 1 bilhão de dólares em capital novo, é politicamente complicada porque significa que países, especialmente os da Europa, teriam de desistir de parte do seu poder de voto a favor dos países em desenvolvimento.
A Grã-Bretanha, um dos maiores contribuidores do Banco Mundial, está no meio de eleições nacionais e existem preocupações de que não possa tomar uma posição até a votação, em 6 de maio. Mesmo os países nórdicos, tradicionalmente generosos em sua ajuda para o desenvolvimento, estão relutantes em aceitar um menor poder de voto.
Líderes do Grupo das 20 maiores nações desenvolvidas e em desenvolvimento (G20) concordaram, em reuniões em Pittsburgh no ano passado, em uma mudança de 3% no poder geral de votação no Banco Mundial e de pelo menos 5% no FMI.
As economias emergentes, que querem uma mudança de 6% no poder de voto no banco, expressaram sua preocupação de que será difícil conseguir 3%.
– Eu não acho que nós conseguiremos mais de 3 – disse uma autoridade brasileira à Reuters.
O G20 pressionou para que haja um acordo sobre o poder de voto no Banco Mundial na reunião desta semana e que ele coincida com um aumento de capital maior para a instituição. A mudança no sistema de votação no FMI será decidida no início do ano que vem. O Banco Mundial e o FMI disseram no domingo que esperam prosseguir com as reuniões de líderes financeiros de 22 a 25 de abril, apesar dos cancelamentos de voos na Europea devido a cinzas vulcânicas.
Recorde
Como outros bancos de desenvolvimento, o Banco Mundial comprometeu somas recordes de fundos – mais de US$ 100 bilhões nos últimos 18 meses – para ajudar países em desenvolvimento afetados pelo colapso do comércio global e pela redução do acesso a crédito durante a crise. Zoellick disse que a demanda por assistência financeira deve diminuir à medida que a economia se recupera, mas que nada é certo.
– A força da recuperação é um ponto de interrogação sério – disse ele aos jornalistas, antes das reuniões.
Com os orçamentos dos países ricos apertados pela crise financeira e pelos crescentes níveis de dívida pública, Zoellick abordou o incremento de recursos em duas fases: através de um aumento geral de capital – o primeiro em mais de 20 anos – e por meio de ajustes nas cotas dos membros.
A última medida aumentaria o poder de voto de países em desenvolvimento de maior crescimento reconhecido pelo Banco, como Índia, China, Rússia e Brasil, e também dos mais pobres na África e na América Latina.
– As pessoas estão querendo o aumento de capital e eu acho que estão mirando cerca de US$ 3,5 bilhões para isso. Isso, para mim, seria um bom resultado – concluiu.