Rio de Janeiro, 18 de Maio de 2026

Zico, meio século de vida e arte

O maior ídolo do futebol brasileiro dos anos 80 está completando meio século de vida nesta segunda-feira. Arthur Antunes Coimbra, conhecido mundialmente como Zico, marcou 831 gols em sua carreira, sendo 508 gols pelo Flamengo, clube que defendeu profissionalmente por 15 anos. (Leia Mais)

Domingo, 02 de Março de 2003 às 19:29, por: CdB

Juiz de Fora, Minas Gerais. Dia 02/12/1989, 13 mil pessoas se espremem no estádio para assistir o clássico mais charmoso do país: Fla x Flu. Em campo um desfile de craques consagrados como Zico e Júnior. De repente uma falta na intermediária Tricolor, a torcida vibra como se fosse pênalti. O goleiro Ricardo Pinto arruma a barreira e se posiciona, aflito, em baixo das traves. O "Galinho de Quintino" ajeita a bola e cobra com perfeição, um golaço. O primeiro de uma goleada história aplicada em cima da equipe do técnico Telê Santana por 5 a 0, pelo Campeonato Brasileiro. Esse foi o último gol de Zico e a última partida oficial com a camisa Rubro-negra. O maior ídolo do futebol brasileiro dos anos 80 está completando meio século de vida nesta segunda-feira. Arthur Antunes Coimbra, conhecido mundialmente como Zico, marcou 831 gols em sua carreira, sendo 508 gols pelo Flamengo, clube que defendeu profissionalmente por 15 anos. Quem visse o "Galinho de Quintino" quando começou pelo clube Rubro-negro, em 1967, aos 13 anos, medindo 1,55 m e pesando apenas 37 kg não imaginaria que aquele garoto iria se tornar o Pelé Branco (White Pele) - como é chamado no exterior. Nem mesmo o treinador das categorias de base do Flamengo, Modesto Bria, acreditou quando viu o menino franzino chegando com o radialista Celso Garcia. "É muito franzino. Não dá!", decretou Bria. Mas o técnico foi convencido por Garcia e deixou o jovem treinar na equipe de base do clube carioca. Na partida de estréia pela escolinha do Flamengo, Zico marcou dois gols na vitória por 4x3 sobre o Everest, pelo Campeonato Carioca da categoria. O primeiro título do "Galinho" pelo Rubro-negro foi em 1969 - o Campeonato Carioca de Infantis. Para melhorar o porte físico, o jogador passou por uma dieta rigorosa e por um trabalho de musculação. O resultado final foi o aumento de 29 kg em sua massa muscular e de 17 cm em sua estatura. A profissionalização ocorreu no dia 29/07/1971 na vitória do Flamengo sobre o Vasco por 2x1, pela Taça Guanabara. Mas o primeiro título como profissional veio no ano seguinte, o Campeonato Carioca, com o técnico Zagallo comandando a equipe Rubro-negra. Mas Zico só disputou duas das vinte e sete partidas da competição. Em 1974, o camisa 10 do clube da Gávea conquistou o Estadual como titular absoluto, além de ser o artilheiro do campeonato com 49 gols, já sob a orientação do técnico Joubert Meira. O Flamengo conquistou 22 títulos na Era Zico: nove taças Guanabara, sete Campeonatos Estaduais, quatro Brasileiros, Taça Libertadores da América e Mundial Interclubes (quando derrotou o Liverpool, da Inglaterra, por 3 x 0, além de ser eleito como o melhor jogador em campo). Em 1983, Zico foi vendido para a Udinese, da Itália, clube que defendeu por dois anos. O brasileiro foi vice-artilheiro do campeonato de 84, apenas um gol atrás do francês Platini, que jogou 6 partidas a mais pela Juventus. Entretanto, Zico foi eleito o melhor jogador da competição. Fora dos gramados Mas nem tudo foi alegria na vida do "Galinho de Quintino". O meio-campo não deu sorte na Seleção Brasileira, perdendo as três Copas do Mundo que disputou (78, 82, 86). No dia 29/08/1985, uma entrada criminosa do lateral-direito do Bangu, Márcio Nunes, tirou Zico dos gramados. O jogador, que sofreu torção nos dois joelhos e no tornozelo esquerdo, contundiu a cabeça do perônio esquerdo e teve cortes profundos na perna direita, passou por três cirurgias para poder voltar a jogar futebol. A despedida do maior artilheiro da história do clube Rubro-negro aconteceu no dia 06/02/1990, no Maracanã, com 100 mil expectadores . A partida foi disputada entre o Flamengo e um combinado de jogadores amigos de Zico. O jogo terminou empatado em 2x2, mas o "Galinho de Quintino" não marcou. Fora dos gramados, o ídolo da maior torcida do país foi convidado para assumir a Secretaria de Desportos no governo do então presidente Fernando Collor. No cargo, ele criou a Lei Zico

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