Escritórios de advocacia
No inicio deste mês, a Polícia Federal cumpriu sete mandados de busca e apreensão como parte da terceira fase da Operação Zelotes, que desarticulou, em março, um esquema compra de sentenças no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Cinco mandados estão sendo cumpridos em escritórios de advocacia no Distrito Federal e dois no Rio de Janeiro.
A nova fase da operação, de acordo com a PF, foi desencadeada após a análise do material apreendido na primeira fase da Zelotes, em 26 de março. “Nos documentos apreendidos à época foram identificados novos indícios que apontam para a participação de outro conselheiro, além de escritórios de advocacia ligados a ele”, informa a nota da Polícia Federal. Os envolvidos no esquema responderão pelos crimes de advocacia administrativa fazendária, tráfico de influência, corrupção passiva, corrupção ativa, associação criminosa, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O Carf, órgão ligado ao Ministério da Fazenda, é a última instância administrativa de recursos relativos a processos abertos pela Receita Federal. Desde março, a Polícia Federal, por meio da Operação Zelotes, apura esquema criminoso em que conselheiros e ex-conselheiros do Carf passavam informações privilegiadas para escritórios de consultoria. Esses escritórios, muitos dos quais tinham os próprios conselheiros como acionistas, procuravam empresas multadas pela Receita Federal e, mediante pagamento de propina, prometiam manipular o andamento de processos para anular ou reduzir as multas aplicadas. A investigação já comprovou prejuízos de R$ 6 bilhões aos cofres públicos, mas a suspeita é de que a fraude possa ultrapassar R$ 19 bilhões. Ministério da Fazenda Em nota, o Ministério da Fazenda informou que o objetivo da ação foi coletar novos documentos para aprofundar os trabalhos de investigação. “Os processos vinculados à investigação tramitam em segredo de Justiça, razão pela qual os alvos da operação não poderão ser informados”. De acordo com o ministério, a coleta de documentos foi requerida à Justiça após a análise do material apreendido em 26 de março, na execução da primeira etapa da operação em 41 endereços. As novas buscas foram ordendas pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) após análise de recurso interposto pelo Ministério Público Federal. Anteriormente, o juiz federal Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, indeferiu o pedido. – As investigações têm apontado para a existência de irregularidades que consistiram na manipulação de decisões, mediante a atuação coordenada de agentes públicos e privados, com a finalidade de reduzir ou extinguir débitos tributários com o, consequente, prejuízo para administração pública – disse o Ministério da Fazenda.