Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Zelaya é impedido de voltar a Honduras e protestos já registram uma morte

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, tomou um vôo para casa neste domingo, mas o governo interino que desafiou as pressões internacionais contra o golpe de Estado da semana passada e não permitiu o pouso do avião. A aeronave venezuelana em que viajava Zelaya seguiu para El Salvador na noite deste domingo, após decolar de Washington em direção a Tegucigalpa, onde encontrou a pista do aeroporto internacional da capital hondurenha bloqueada com veículos das Forças Armadas. (Leia Mais)

Domingo, 05 de Julho de 2009 às 21:28, por: CdB

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, tomou um vôo para casa neste domingo, mas o governo interino que desafiou as pressões internacionais contra o golpe de Estado da semana passada e não permitiu o pouso do avião. A aeronave venezuelana em que viajava Zelaya seguiu para El Salvador na noite deste domingo, após decolar de Washington em direção a Tegucigalpa, onde encontrou a pista do aeroporto internacional da capital hondurenha bloqueada com veículos das Forças Armadas.

Zelaya deixou Washington pouco depois em um vôo fretado acompanhado pelo presidente da Assembleia Geral da ONU, Miguel D'Escoto, de acordo com o ministro das relações exteriores da Venezuela e com o canal de tevê Telesur, de Caracas, que mostrou imagens do presidente deposto subindo em um avião.

– Tenho certeza de que nas próximas horas vamos contar a vocês sobre nossa chegada neste avião a Tegucigalpa, capital de Honduras – disse Zelaya, antes de ser forçado a desistir da volta ao seu país.

Zelaya, que devia deixar o cargo em 2010, foi expulso do governo por tropas armadas e mandado em um vôo para o exílio na Costa Rica uma semana atrás, em um golpe largamente condenado em todo o mundo. Em Honduras, Enrique Ortez, ministro das relações exteriores do governo provisório instalado horas após o golpe, disse antes de Zelaya deixar Washington que qualquer avião que o traga a bordo não terá permissão de pouso. O governo interino já declarou que Zelaya será preso se entrar em Honduras.

– Dei ordens para que não seja permitido que ele volte. Não podemos tolerar a displicência – disse Ortez a uma rádio local.

Em Tegucigalpa, milhares de apoiadores de Zelaya, alguns portando porretes, protestaram em apoio ao seu retorno. Tropas e policiais reforçaram a segurança no aeroporto e em sua circunvizinhança. Os protestos, pacíficos durante quase todo o dia, assumiram dimensões violentas no fim da tarde, quando as forças de segurança lançaram gás lacrimogêneo, aparentemente para impedir uma tentativa de invasão do aeroporto. Agências internacionais também informaram que pelo menos uma pessoa morreu baleada ao tentar passar por uma cerca de segurança do aeroporto.

Isolado

O plano de retorno de Zelaya se seguiu ao gesto mais contundente por parte de governos estrangeiros para isolar o governo provisório desde o golpe, que foi o primeiro na América Central desde o final da Guerra Fria e foi desencadeado por uma disputa em torno dos limites do mandato presidencial. A OEA se reuniu nas primeiras horas deste domingo em Washington e tomou a rara medida de suspender Honduras depois que o governo interino ignorou um ultimato do grupo de 34 países para reconduzir Zelaya.

O secretário-geral da OEA, Jose Miguel Insulza, a presidente argentina Cristina Kirchner e o presidente paraguaio Fernando Lugo planejavam viajar para El Salvador para acompanhar a volta de Zelaya, disse o presidente do Equador Rafael Correa, que também pretendia integrar o grupo. Honduras, país exportador de café e têxteis com uma população de 7 milhões de habitantes, é o terceiro país mais pobre do hemisfério, atrás de Haiti e Nicarágua.

A suspensão da OEA pode complicar o acesso de Honduras a créditos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Na semana passada, o BID disse que irá suspender os empréstimos por conta do golpe. Zelaya, um homem de negócios que abraçou a esquerda após ser eleito em 2006, desagradou a elite do país, incluindo membros de seu próprio Partido Liberal, com o que críticos dizem ser uma tentativa ilegal de ampliar o mandato presidencial e estreitar os laços com o presidente venezuelano Hugo Chavez, inimigo dos EUA.

Vários países da OEA se posicionaram contra o retorno de Zelaya, e um líder religioso local alertou para a possível violência caso ele tentasse voltar para casa.

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