Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Zelaya desafia golpistas e volta a Honduras em meio a novas negociações

Sexta, 24 de Julho de 2009 às 17:32, por: CdB

Presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya cruzou na sexta-feira a fronteira da Nicarágua com o seu país por alguns metros, enquanto pedia para dialogar com militares em um desafio à ordem de prisão estabelecida pelo governo interino contra ele. Com seu tradicional chapéu de boiadeiro, Zelaya chegou à frente de uma caravana, dirigindo um jipe branco e acompanhado do chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro.

Depois de estacionar, caminhou alguns metros dentro do território hondurenho, em um gesto simbólico, e voltou. Helicópteros militares hondurenhos sobrevoavam a zona.

– Estamos esperando que os militares levantem os obstáculos que estão pondo (...) Pedi comunicação com o Estado Maior para ver se podemos solucionar isso – disse Zelaya, acrescentando que buscava um diálogo com o governo formado após o golpe que o depôs, em 28 de junho.

Negociações

Minutos depois que Zelaya ingressou em território hondurenho, a vice-chanceler do governo interino do país, Marta Lorena Alvarado, leu na rede norte-americana de TV CNN, em Espanhol um comunicado denunciando a interferência estrangeira no país e afirmando que considera que as negociações mediadas pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, continuam. A proposta de Arias prevê o retorno de Zelaya à Presidência, a frente de um governo de união nacional.

Sindicatos e adversários do golpe realizam na sexta-feira novos bloqueios rodoviários em Tegucigalpa, no segundo dia de uma greve geral que até agora transcorre sem incidentes. Zelaya decidiu voltar após dar por encerradas as negociações mediadas pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, que não conseguiu convencer o governo provisório a restituir o governo eleito.

O retorno de Zelaya, desafiando a ordem de prisão, significa um revés para os EUA na disputa contra Chávez pela influência na América Latina. O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, José Miguel Insulza, disse que a decisão de Zelaya era "apressada", e lembrou que o governo interino ainda não comunicou oficialmente a sua rejeição do acordo proposto por Arias, que deve ser discutido na segunda-feira pelo Congresso de Honduras.

Alvarado acrescentou, à agência inglesa de notícias Reuters, que a volta de Zelaya ao poder está fora de discussão. Zelaya, que ainda tinha sete meses de mandato, reiterou por sua vez que o diálogo está esgotado e que já não tem nada a perder. Os presidentes dos países do Mercosul decidiram na sexta-feira desconsiderar qualquer ato que emane do governo interino de Honduras, inclusive a celebração de eleições, o que amplia a pressão pela restituição de Zelaya.

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