Para o técnico José Roberto Guimarães, o ditado popular 'beleza não põe mesa' é uma verdade na seleção brasileira feminina de vôlei. Ele não quer musas em seu time para o país ter mais chance de conquistar o título olímpico.
O técnico alegou que os recentes insucessos da seleção têm como principal causa a diferença física de suas jogadoras em relação às adversárias européias, e definiu novas regras para aumentar a resistência das atletas, mesmo que para isso seja necessário que elas percam um pouco de sua beleza.
Guimarães já deixou claro para as jogadoras que fará de tudo para impedir que a vaidade feminina seja um empecilho para as vitórias e avisou que não quer saber de musas em seu elenco.
Entre as medidas para acabar com a vaidade, o treinador incluiu cabelos curtos e muita malhação de braços e ombros.
"A mulher brasileira tem a tendência de querer malhar só pernas e bumbum, e não gosta de pegar peso nos ombros e nos braços. Temos que quebrar essas barreiras para chegar ao sonho de todos, que é conquistar a medalha de ouro olímpica", disse ele em coletiva de imprensa nesta terça-feira no centro de treinamento das seleções de vôlei, em Saquarema, no Rio de Janeiro.
"Estamos sempre esbarrando em um limiar, e acredito que este limiar é cultural. Isso não é bobagem, para mim é muito sério. A musa sempre atrapalha. O que mais prejudica as mulheres é a vaidade."
Nesta terça-feira, 15 jogadoras se apresentaram ao técnico para iniciar a preparação para a temporada. Os primeiros torneios serão em Courmayeur, na Itália, e Montreux, na Suíça. Depois o time disputa a primeira fase do Grand Prix, na Ásia, na última semana de junho.
Para evitar a tal vaidade, Guimarães vai implantar uma linha dura neste período olímpico, incluindo limitação de celulares e multas por atrasos e falta de uniforme. Segundo o técnico, as atrasadas terão que depositar na caixinha 10 reais por minuto, mas poderão recorrer da decisão.
"Vou escolher três jogadoras para formarem o comitê de apelação", disse ele.
As jogadoras passarão cinco semanas se preparando em Saquarema, e o treinador terá a primeira oportunidade para encontrar a substituta ideal para Fernanda Venturini. Carol, Danielle Lins e Marcelle foram as três primeiras levantadoras convocadas.
"Essa posição não é um problema só do Brasil, mas um problema mundial", disse o treinador. "Teremos a oportunidade de testar muitas levantadoras, e essas que foram convocadas estão mais ou menos no mesmo nível. O que vai decidir vai ser o momento, nos treinamentos."
A aposentadoria de Fernanda Venturini coincidiu com a de sua reserva Fofão, que ainda deve disputar um torneio este ano antes de abandonar definitivamente a seleção.
"A levantadora ideal para ele seria igual a Fernanda, que colocasse todas as bolas perfeitas para as atacantes. Ele diz que as atacantes não podem se esforçar para bater na bola, elas tem que atacar confortavelmente", disse Danielle Lins, campeã da Superliga 04/05 com o Finasa/Osasco, sob o comando do próprio treinador.
Para Guimarães, quem também pode ter uma chance é Érika, que decidiu trocar o ataque pelo levantamento visando o Pan-Americano do Rio e os Jogos Olímpicos de Pequim. A jogadora foi convidada para treinar na seleção como levantadora, mas por enquanto não tem espaço para ser convocada.
"Como levantadora ela ainda não está no nível da seleção, mas está decidida por esta mudança e vamos ajudar no que for possível. Ela está com 24 anos e viu nessa mudança de posição a chance de continuar jogando até 35."