Legislativas na Espanha, municipais na França, o domingo foi político e algumas coisas ficaram evidentes. Primeira, os franceses já se arrependeram de ter votado no atual presidente Sarkozi; segunda, os espanhóis estão contentes com seu chefe de governo ateu anti-batina.
E sem ter nada a ver com eleições, mas como também aconteceu neste domingo, um rápido comentário – enquanto o governo israelense continuar autorizando construções de novas casas de colonos na Cisjordânia vai ser difícil se encontrar a paz por aqueles lados. É um verdadeiro teatro do absurdo, montado para desesperançar quem insiste em esperar ali viverem juntos dois Estados independentes.
Mas voltemos ao país onde funciona a lógica – o presidente Sarkozi parece ter se transformado num desastre e a descrença se alastra dentro do seu próprio partido e entre seus eleitores. Aparentemente, o presidente francês tinha tudo para gozar de popularidade e até mesmo obter o apoio de muitos adversários. É o primeiro presidente com uma argelina de origem, nome árabe, no importante posto de ministra da Justiça. Tem também uma secretária de Estado negra, e um assessor e um ministro das Relações Exteriores subtraídos dos socialistas.
E qual é o resultado? Trocando os pés pelas mãos, Sarkozi conseguiu o contrário do que esperava – perdeu seus admiradores da direita e não conseguiu convencer seus adversários da esquerda. E o resultado é uma baixa constante no seu Ibope, devendo logo bater o recorde dos presidentes mal amados. A cada semana, os institutos de sondagem revelam novas baixas no índice de confiança.
Pudera, o homem é especialista em mancadas, em falar e logo depois se desdizer, em xingar quem lhe contesta no estilo baixaria, sem se falar nos seus problemas afetivos, troca de esposa logo depois de eleito, e preferência por amigos ricos que lhe pagam belas férias. O resultado está nas eleições municipais, onde o primeiro turno mostra uma vitória dos socialistas, numa bela revanche para a derrotada Segolêne Royal.
Quando se sabe que Sarkozi tem ainda quatro anos pela frente, ninguém arrisca imaginar seu futuro. Alguns comentaristas já começam a duvidar se Sarkozi chegará no fim do seu mandato. Sua maior promessa, responsável por sua eleição, foi aumento do poder de compra para os franceses. Ora, vem acontecendo justamente o contrário, com os franceses empobrecendo.
Enquanto isso, na Espanha vizinha, o tranquilo Zapatero recolhe uma bela vitória que, neste momento se aproxima da maioria absoluta no parlamento. E isso com todo o clero católico carola e reacionário mobilizado para derrotar o inimigo da Igreja. Mas o cheiro de vela rançosa nada conseguiu, a Espanha de hoje não é mais a Espanha franquista, porém um dos países europeus de maior crescimento.
Não tomei assinatura contra a Igreja católica espanhola, mas contra os fanáticos de todas as religiões aiatolás, imãs, curas, freis, bispos, pastores, rabinos que cultivam superstições, impedem a expressão livre e acorrentam o desenvolvimento humano em preceitos e dogmas produzidos por imaginações reacionárias. E sem precisar ir longe – as mulheres homenageadas há alguns dias, sempre têm sido as principais vítimas. Estranho, a religião é masculina, enquanto a criação é feminina...
Mas voltemos ao nosso Zapatero, corajoso, destemido, numa Espanha, onde a intolerância destruiu Andaluzia e justificou as inquisições religiosas e políticas.
PS.- Leio haver problemas com turistas brasileiros deembarcando na Espanha. E se o Itamaraty tomasse as dores dos nossos turistas e fosse mais ativo?
Zapatero e Sarkozi, resultados opostos
Por Rui Martins - Legislativas na Espanha, municipais na França, o domingo foi político e algumas coisas ficaram evidentes. Primeira, os franceses já se arrependeram de ter votado no atual presidente Sarkozi; segunda, os espanhóis estão contentes com seu chefe de governo ateu anti-batina. (Leia Mais)
Terça, 11 de Março de 2008 às 16:16, por: CdB