O futuro primeiro-ministro da Espanha rejeitou nesta quarta-feira o apelo do presidente dos Estados Unidos por unidade e qualificou a ocupação do Iraque de fiasco. Enquanto isso, a investigação sobre os atentados que mataram 201 pessoas em Madri entrou em uma "fase decisiva''.
O socialista José Luis Rodríguez Zapatero, que no domingo conseguiu uma surpreendente vitória eleitoral sobre o Partido Popular, do primeiro-ministro José María Aznar, manteve sua promessa de retirar as tropas espanholas do Iraque, apesar do pedido em contrário de George W. Bush.
- Ouvirei o senhor Bush, mas minha posição é muito clara e muito firme - disse Zapatero à emissora de rádio Onda Cero. ``A ocupação é um fiasco.
Bush pediu à Espanha e a outros aliados na terça-feira que não cedam à pressão do grupo islâmico Al Qaeda para abandonar o Iraque. Enquanto a Espanha reforça a vigilância em aeroportos e instalações estratégicas, Zapatero prometeu uma reformulação na política de segurança e o combate a grupos violentos, inclusive a organização separatista basca ETA. "Estou planejando acabar com o terrorismo'', disse ele.
Zapatero pretende retirar os 1.300 soldados espanhóis do Iraque se a ONU não assumir o comando da missão. Essa proposta provocou preocupação entre aliados dos EUA, que ainda não têm claro qual papel ele quer para a ONU no país.
Em Madri, milhares de simpatizantes de Aznar protestaram, acusando os socialistas de "explorarem'' os atentados para conseguir votos. Analistas dizem que o Partido Popular perdeu as eleições porque manipulou informações nos dias anteriores à eleição, acusando o ETA pelo atentado. Além disso, Aznar enviou tropas ao Iraque à revelia da população, e os atentados foram vistos como um preço pago por isso.