Yingluck Shinawatra comemora a vitória na sede do partido Pheu Tai
A candidata Yingluck Shinawatra, irmã do premiê deposto Thaksin Shinawatra, será a primeira mulher a ocupar o cargo de primeiro-ministro da Tailândia, após vencer as eleições deste domingo.
Com mais de 90% dos votos apurados, o Partido Pheu Thai, liderado por Shinawatra, conseguiu mais de 260 cadeiras no Parlamento, o que significa a maioria entre os 500 assentos.
Falando na sede do partido, a candidata disse que terá "muito trabalho duro pela frente" e que sua principal prioridade será recuperar a economia do país e aumentar os salários mínimos.
Seu irmão, o ex-presidente Thaksin Shinawatra, foi deposto em um golpe de estado em 2006.
Horas antes, o primeiro-ministro da Tailândia, Abhisit Vejjajiva, do Partido Democrata, admitiu a derrota na eleição geral do país.
"Agora, com os resultados da eleição até o momento, está claro que o Partido Pheu Thai venceu e o Partido Democrata reconhece a derrota", afirmou Vejjajiva em rede nacional de televisão.
"Darei a chance a Yingluck, a primeira mulher a formar um governo. Quero ver união e reconciliação. Os Democratas estão prontos para a oposição", acrescentou o primeiro-ministro.
Reconciliação
Mesmo com a vitória garantida, Yingluck Shinawatra se mostrou cautelosa. Em seu discurso, ela agradeceu a Vejjajiva e insistiu em esperar pelos resultados oficiais.
"Não quero dizer que esta é uma vitória para mim e para o Pheu Thai, mas as pessoas estão me dando uma chance e vou trabalhar para fazer o melhor para o povo", afirmou a candidata na sede do partido em Bangcoc.
"Quero reiterar que estamos prontos para cumprir com todas as políticas que anunciamos. Há muito trabalho duro pela frente", acrescentou.
Yingluck Shinawatra e Partido Democrata, do primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva, destacaram em suas campanhas a necessidade de acabar com anos de divisão política no país.
A crise política no país começou após o golpe militar em 2006 que depôs o então presidente Thaksin Shinawatra, acusado de corrupção, depois de cinco anos no governo.
A correspondente da BBC em Bangcoc, Rachel Harvey, disse que o resultado das eleições é uma clara rejeição da população à intervenção militar na política do país, e que representa uma grande decepção para Vejjajiva.
Yingluck Shinawatra é iniciante na vida política e analistas dizem que sua popularidade se baseia no fato de que ela apresenta o mesmo tipo de propostas políticas que seu irmão, que muitos acreditam ser o verdadeiro líder político da Tailândia.
Do exílio
Thaksin Shinawatra vive atualmente em Dubai e disse, em entrevista à BBC, que o povo tailandês tinha votado pela mudança.
"Eles querem ver reconciliação, queremos ter reconciliação", disse.
Shinawatra acrescentou que todos os partidos terão que respeitar a decisão dos eleitores e até os militares, que o tiraram da Presidência em 2006, deveriam "estar ouvindo o que povo acha".
Quando perguntado se agora pretende voltar para a Tailândia, Shinawatra afirmou que "não tem pressa".
Nos últimos anos a Tailândia tem sido palco de protestos nas ruas, fechamento de aeroportos e confrontos entre os partidários dos dois principais grupos políticos do país. Com isto, segundo o correspondente da BBC, a economia do país e sua reputação de país democrático do sudeste da Ásia foram prejudicadas.
Em 2010, manifestantes fecharam partes de Bangcoc durante dois meses tentando obrigar o governo a renunciar. Quando o Exército tentou tirar os manifestantes das ruas, os confrontos violentos resultaram em cerca de 90 mortos.
Muitos dos manifestantes, os camisas vermelhas, apoiavam Thaksin Shinawatra.