Rio de Janeiro, 17 de Fevereiro de 2026

Yeda faz política com polícia

Por Frei Pilato Pereira - - Três colunas de trabalhadores e trabalhadoras sem terra marcham rumo a Fazenda Guerra no município de Coqueiros do Sul. (Leia Mais)

Quinta, 13 de Setembro de 2007 às 09:54, por: CdB

Três colunas de trabalhadores e trabalhadoras sem terra marcham rumo a Fazenda Guerra no município de Coqueiros do Sul. Uma coluna iniciou a marcha por Pelotas, região sul do Estado, outra por Porto Alegre e uma terceira coluna iniciou em Boçoroca, região missioneira. As três colunas iniciaram a marcha no dia 11 de setembro. O objetivo desta marcha é pressionar o governo Lula para desapropriar a Fazenda Guerra em Coqueiros do Sul, uma área com 9 mil hectares de terra que gera apenas dois empregos fixos e vinte temporários.

Sendo desapropriada para Reforma Agrária, daria para assentar 465 famílias na área, o que resultaria em 1,4 mil empregos diretos na agricultura, sem contar outros tantos indiretos, como técnicos, professores, comércio e etc. O movimento pede agilidade e coragem por parte do governo Lula que até então fez muito pouco pela Reforma Agrária, assentando em torno de 700 famílias no Rio Grande do Sul. Já a governadora Yeda, além de não ter feito absolutamente nada pelos sem terra e pequenos agricultores, nem sequer foi capaz de receber os movimentos para discutir os problemas da agricultura familiar.

A governadora Yeda, como não é capaz de dialogar com os movimentos sociais, adotou uma política de polícia. No início da marcha em Pelotas e Porto Alegre a polícia agiu imediatamente e com muita violência. Em Boçoroca tudo iniciou bem e com muita calma, pouca polícia e muito apoio da sociedade, mas aos poucos isso foi mudando. Não há um grande aparato policial acompanhando a marcha, mas as poucas viaturas e camburão que estão seguindo a coluna das missões têm demonstrado a prepotência policial. Pois um fato, para citar, ocorrido nesta quarta-feira em São Luiz Gonzaga, demonstra a forma de como a polícia da Yeda está orientada para tratar os trabalhadores que se organizam.

Estávamos em três companheiros, um vereador do município de Boçoroca, um dos coordenadores do MST na região e, eu Frei Pilato, realizando o trabalho de articulação da marcha (imprensa, apoiadores, etc). Ao sairmos da sede de um sindicato, quando entramos no carro, um camburão da Brigada Militar nos abordou. Os policiais fortemente armados, como a gente vê no Rio de Janeiro, nos apontaram as armas e vasculharam o carro e nossas pastas e pertences. Pediram documentos e insistentemente queriam saber se tínhamos antecedentes criminais. Também, de forma incisiva, pediam por nossas armas. Nos trataram como se tivessem a certeza de que nós estávamos armados. Depois de revista e interrogatório, nos liberaram. Concluímos que isso se trata de uma tentativa de amedrontar, gerar pânico e desequilíbrio na marcha.

Fiz campanha pelo desarmamento, sou contra a venda de armas, nunca usei uma arma, mas, por estar com os sem terra, a polícia da Yeda me abordou com a acusação de estar armado. É uma falta de respeito com a pessoa humana e com os movimentos sociais. Imagina, você estar andando na rua cumprindo suas obrigações, como um cidadão comum, enquanto os bandidos seguem planejando e realizando assaltos e a violência pelo Estado a fora sem solução, mas a polícia vem e te aborda exigindo que você entregue a arma que você não tem e nem se quer conhece. Isso porque você está apoiando a luta organizada dos sem terra. A política da Yeda com os pobres não é feita de dialogo e atenção, mas com a repressão policial.

Frei Pilato Pereira é frade capuchinho.
pilato@capuchinhosrs.org.br

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