Rio de Janeiro, 29 de Outubro de 2026

Yeda Crusius vive situação frágil na política gaúcha

Uma série de embates com o Movimento dos Trabalhadores Sem-terra, com uso da violência por parte da Polícia Militar do Estado do Rio Grande do Sul contra agricultores, marcou os primeiros anos da primeira mulher a governar uma das populações mais tradicionalistas do país, que preza pela correção dos administradores e a justiça por eles praticadas contra os mais carentes. (Leia Mais)

Domingo, 25 de Maio de 2008 às 12:01, por: CdB

Uma série de embates com o Movimento dos Trabalhadores Sem-terra, com uso da violência por parte da Polícia Militar do Estado do Rio Grande do Sul contra agricultores, marcou os primeiros anos da primeira mulher a governar uma das populações mais tradicionalistas do país, que preza pela correção dos administradores e a justiça por eles praticadas contra os mais carentes. É nesse cenário que a tucana Yeda Crusius, política veterana da direita gaúcha, percebe-se em meio a um redemoinho de denúncias de corrupção e enfrentamentos de classes sociais.

A Polícia Federal investiga, há uma semana, as denúncias do vice-governador, Paulo Afonso Feijó (DEM) acerca de uma série de desvios e compras superfaturadas, sem licitação pública, no Banco do Rio Grande do Sul (Banrisul). Esta, porém, é apenas a ponta de um escândalo que começou a ser decifrado há seis meses, na Operação Rodin, quando a PF começou a apurar o desvio de mais de R$ 45 milhões do Detran, comandado por aliados da governadora. O presidente da instituição, Flávio Vaz Netto, e um dos principais líderes do PSDB gaúcho Lair Ferst, investigado como cérebro do esquema, foram presos e respondem por crimes de peculato e formação de quadrilha, entre outros.

O envolvimento de Ferst, um dos pilares da campanha de Crusius, teve repercussão na CPI instaurada na Assembléia Legislativa por adversários da governadora. Em depoimento aos parlamentares, o deputado federal Enio Bacci (PDT), ex-secretário da Segurança - demitido pela governadora, ano passado, denunciou o esquema, que passou a ser investigado por delegados da Polícia Federal. Na época, as denúncias foram negadas pelo Palácio do Piratini e Ferst mantido no cargo.

Em 2007, após ser demitido, Bacci garantiu que levou essas denúncias ao conhecimento da governadora que, segundo ele, não quis saber de investigar o caso. Até agora, o Ministério Público Federal ofereceu denúncia contra 44 pessoas por envolvimento na fraude, entre elas, outras figuras importantes da política gaúcha e aliados do atual governo.

Em seu pronunciamento inicial, Ênio Bacci confirmou que levou ao conhecimento da governadora um conjunto de denúncias sobre irregularidades no Detran. Entre elas, citou uma licitação viciada, para contratação de uma empresa de limpeza que trabalharia nas delegacias de polícia do Estado. Segundo ele, há fortes indícios de que a licitação foi dirigida para que a empresa Santos Alves fosse vencedora. Uma cláusula do edital de licitação estabelecia como exigência que as empresas candidatas tivessem uma declaração por escrito afirmando que conheciam todas as 700 delegacias do Estado.

Curiosamente, acrescentou o ex-secretário, em 30 dias a empresa Santos Alves tinha em mãos declarações de todas as delegacias. Foi um contrato de R$ 480 mil/mês, R$ 6 milhões/ano. Bacci também denunciou uma "farra nas locações de veículos" no Detran, com práticas de superfaturamento e de emissão de notas falsas.
 
Outro líder tucano, atingido em cheio pelo caso do Detran foi um dos auxiliares mais próximos de Crusius: O secretário de Planejamento e Gestão, Ariosto Culau, pediu demissão após ser filmado em uma reunião com Ferst.

Após ser eleita, em 2006, Crusius prometeu sanear as finanças do Estado, que vivia à epoca sob risco de insolvência, com um déficit fiscal de R$ 1,2 bilhão, ano passado. Para este ano, a projeção é de um déficit de R$ 600 milhões. Ocorre, porém, que os planos da governadora para reduzir o rombo nas contas do Estado passavam por um pacote fiscal que previa o aumento na arrecadação do ICMS.

Até agora, a base política dos tucanos fracassou em duas tentativas de aprovar a Lei na Assembléia Legislativa. A primeira, ainda em 2006, com a mensagem de seu antecessor, Germano Rigotto (PMDB), aos deputados e, em novembro de 2007, quando o projeto foi derrubado por 34 votos a 0.

Tags:
Edições digital e impressa