Grupos de milicianos xiitas atacaram, neste domingo, um distrito sunita árabe de Bagdá, baleando dezenas de pessoas, numa das mais sangrentas agressões de rua já ocorridas no país e reforçando os temores de que o Iraque esteja à beira de uma guerra civil sectária. No fim da tarde, dois carros-bombas explodiram perto de uma mesquita xiita no nordeste de Bagdá, matando 19 pessoas e ferindo 59, disse a polícia. Disparos ecoaram por duas áreas sunitas.
Homens armados mataram pelo menos 42 pessoas no distrito de Jihad, no oeste, informaram fontes do Ministério do Interior. É provável que essa violência dê mais argumentos aos que pedem que o primeiro-ministro Nuri al-Maliki enfrente as poderosas milícias do país, que muitos consideram responsáveis pela violência sectária. Muitas das vítimas foram mortas depois de serem arrancadas de seus carros, em falsos postos de verificação da polícia, perto de uma mesquita xiita onde um carro-bomba matou três pessoas no sábado.
Repórteres da agência inglesa de notícias Reuters viram quatro corpos numa rua, todos baleados e amarrados e vários com os olhos vendados, em mais um indício do agravamento do derramamento de sangue que atinge o Iraque desde a explosão de bombas numa mesquita xiita muito reverenciada, em 22 de fevereiro. A violência é um golpe ao plano de reconciliação nacional de Maliki, que tenta por fim ao derramamento de sangue entre os xiitas, como ele, e os sunitas, que antes dominavam a vida pública do Iraque.
A polícia e políticos sunitas disseram a jornalistas da agência norte-americana de notícias Associated Press que falsos comandos da polícia realizaram as chacinas e responsabilizaram a milícia do exército Mehdi, do clérigo xiita Moqtada al-Sadr, pelas mortes do domingo. Representantes do movimento de Sadr, que fazem parte do bloco islâmico xiita de Maliki, negaram, porém, qualquer envolvimento na violência.
Fontes da polícia e do Ministério do Interior acrescentaram à agência francesa de notícias AFP que pistoleiros xiitas percorreram o distrito de Jihad, verificando os documentos das pessoas, em busca de nomes tipicamente sunitas. Um disse que homens sunitas foram agrupados em ruas laterais e mortos a tiros.
- Pistoleiros estão matando civis sunitas, segundo seus documentos de identidade - disse uma fonte do Ministério do Interior.
Um político xiita importante disse que combatentes do exército Mehdi do leste de Bagdá se deslocaram para o distrito de Jihad no domingo, mas insistiu que eles estavam atacando apenas militantes sunitas responsáveis pela morte de xiitas.
- Há muitos grupos terroristas em Jihad, que matam famílias xiitas, de forma que eles foram lá para combatê-los - concluiu.