A organização não-governamental World Wildlife Fund (WWF) disse que o Brasil está no caminho certo para a redução de emissões de carbono e se adotar políticas verdes pode gerar uma poupança de US$ 15 bilhões (cerca de R$ 30,5 bilhões) em investimentos em energia e criar até oito milhões de novos empregos nos próximos 15 anos.
Em entrevista coletiva realizada nesta quinta-feira em Bangcoc, os representantes da organização elogiaram o Brasil e ressaltaram que, de acordo com um estudo da ONG lançado em setembro passado, o país poderia estabilizar as emissões de gases causadores do aquecimento global em níveis semelhantes a 2004 já no ano de 2020, se adaptar suas fontes de energia elétrica.
"Investindo 0,1% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial por ano, podemos salvar o planeta da ameaça do aquecimento global" disse Stephan Singer, chefe da unidade de políticas energéticas da WWF. E os grandes países em desenvolvimento como o Brasil podem "dar o exemplo" acrescentou Singer.
Energia sustentável
O relatório da WWF, intitulado Agenda da Eletricidade Sustentável 2020, sugere que a redução do desperdício de recursos, a promoção de inovação tecnológica e o aumento do uso de energias renováveis em 80% podem cortar custos na construção de novas infra-estruturas energéticas de larga escala.
"É possível para o Brasil produzir energia elétrica de uma forma mais sustentável e gerar mais empregos, mais riquezas e causar menos dano ao meio-ambiente", afirmou Karen Suassuna, do programa da WWF para energia e mudança climática no Brasil.
O estudo recomenda investir em energias renováveis como a eólica, solar, hidráulica e biomassa e estima que fontes alternativas bem empregadas podem resultar em uma redução de 38% no crescimento da demanda energética previsto para 2020.
Segundo a WWF, se aplicadas, as suas recomendações poderiam ajudar o Brasil a evitar a emissão de 413 milhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera da terra.
Segundo números da organização, esta redução nas emissões é maior que a economia total causada pelo uso do etanol nos últimos 25 anos.