As ruínas do World Trade Center liberaram gases tóxicos como uma "fábrica de produtos químicos" por ao menos seis semanas depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, revelou um estudo divulgado nesta quarta-feira. Os gases tóxicos de metais, ácidos e produtos orgânicos podem ter sido inalados pelos operários deslocados para as obras no local dos ataques, disse o estudo realizado por cientistas da Universidade da Califórnia em Davis (EUA) e divulgado em um encontro da Sociedade Americana de Química.
Thomas Cahill, um dos autores do estudo, afirmou que as condições do ar seriam "brutais" para os operários que trabalhassem no local sem proteção, e apenas um pouco melhores para os que trabalhassem e morassem em prédios próximos. "A pilha de destroços funcionou como uma fábrica de produtos químicos", disse Cahill.
"Ela cozinhou várias substâncias juntas, os prédios e o que estava dentro deles, como um número enorme de computadores, e liberou, por ao menos seis semanas, gases tóxicos de metais, ácidos e produtos orgânicos".
A pesquisa aparece em meio a dúvidas sobre a qualidade do ar no local onde ficavam as torres gêmeas do WTC. À época dos ataques, o governo disse que a qualidade do ar na área era boa.
No mês passado, um relatório interno elaborado por Nikki Tinsley, inspetor-geral da Agência de Proteção do Meio Ambiente, afirmou que o governo federal pressionou o órgão a dar declarações precipitadas sobre a qualidade do ar. A agência divulgou um comunicado no dia 18 de setembro de 2001, mesmo sem ter "dados suficientes para fazer uma avaliação", afirmou Tinsley.
A Casa Branca (sede do governo) "convenceu a agência a adicionar declarações tranqüilizadoras e a minimizar as declarações de advertência". Entre as informações sonegadas estava uma sobre os riscos em potencial para a saúde de se respirar amianto, chumbo, concreto e vidro pulverizados, afirmou o relatório.
Segundo o estudo recente da UC-Davis, depois de as torres gêmeas terem desabado, toneladas de concreto, vidro, móveis, carpetes, material isolante, computadores e papel queimaram até 19 de dezembro de 2001.