Rio de Janeiro, 23 de Maio de 2026

WorldCom anuncia plano para sair da concordata

Segunda, 14 de Abril de 2003 às 13:20, por: CdB

A companhia de telecomunicações WorldCom, que pediu concordata no ano passado, apresentou nesta segunda-feira, um plano de reestruturação que inclui tentar superar dívidas de entre 3,5 e 4,5 bilhões de dólares. O plano, que é apoiado por 90% dos credores, foi entregue nesta sexta-feira, dentro do prazo máximo previsto, a um tribunal de Nova York, que decidirá sua aprovação. A WorldCom, que declarou a maior concordata da história empresarial americana, após um escândalo contábil que poderia chegar a 11 bilhões de dólares, ainda não deu detalhes sobre o plano. Segundo a imprensa financeira, os proprietários de bônus da WorldCom receberão cerca de 36 centavos por cada dólar investido nesses papéis, que representam um valor total de 26 bilhões de dólares. Os credores da MCI, que possuíam 3 bilhões de dólares em bônus, ganharão 80 centavos por cada dólar investido; os credores da Intermédia receberão 94 centavos por dólar, em um investimento que representa aproximadamente um bilhão de dólares em bônus, enquanto que os acionistas não receberão nada. Quando a WorldCom pediu concordata, em julho do ano passado, sua dívida chegava a quase 41 bilhões de dólares. O plano de reestruturação inclui a mudança de sua sede, que passará de Clinton (Mississippi) para Ashburn (Virgínia), uma ação que foi interpretada nos meios financeiros como uma tentativa de se afastar de sua antiga imagem e direção. Além disso, o grupo adotará o nome de sua empresa de telefonia de longa distância, MCI, e nomeou Robert Blakely como novo gerente de finanças, cargo que desde janeiro era ocupado interinamente por Victoria Harker. "Queríamos um nome do qual nos sentissimos orgulhosos", disse o presidente da companhia, Michael Capellas, ao comunicar a mudança. O executivo afirmou que "os 30 anos de experiência de Blakely e sua fama de manter o mais alto padrão serão ativos importantes" para a empresa, em um momento no qual o grupo tenta "recuperar a confiança dos clientes, dos funcionários e da comunidade financeira". Blakely foi gerente de finanças da Lyondell Chemical e é conhecido no mundo empresarial por ter ajudado a restruturar a Tenneco, empresa com negócios nos setores energético, naval e de empacotamento. A mudança de gerente responde à necessidade de renovar a imagem do grupo, que junto com a Enron, gerou uma crise de confiança nas empresas dos Estados Unidos. A renovação da imagem também será feita através de uma campanha publicitária na TV, mídia impressa e internet nos EUA, Europa e partes da Ásia. O objetivo da WorldCom é sair da concordata nos próximos meses e dar ênfase aos pequenos e médios negócios, assim como no serviço de telefonia local. No mês passado, a empresa anunciou que demitiria 5.000 funcionários este ano para diminuir custos em 2,5 bilhões de dólares anuais. O corte se soma a outro, de 17.000 empregos, anunciado em meados de 2002, e que representava 20% do quadro da companhia.

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