Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Woody Allen revela nova neurose em <i>Melinda and Melinda</i>

Quinta, 17 de Março de 2005 às 18:44, por: CdB

Woody Allen, visto por cinéfilos de todo o mundo como símbolo do nova-iorquino neurótico, manifesta uma nova síndrome a partir desta sexta-feira, com o lançamento de seu trabalho mais recente, "Melinda and Melinda".

Chame-a a de "inveja da obra" -- uma condição na qual um artista cômico altamente valorizado questiona seu próprio valor, quando comparado ao de autores de dramas sérios.

Em "Melinda and Melinda", Allen apresenta duas versões, uma cômica e outra trágica, de uma mesma anedota sobre uma personagem chamada Melinda.

A australiana Radha Mitchell, de "Por um Fio" e "Em Busca da Terra do Nunca", representa as duas Melindas, acompanhadas de dois elencos distintos, incluindo Will Ferrell e Amanda Peet na comédia, e Chloe Sevigny e Chiwetel Ejiofor na parte trágica.

Um diálogo filosófico sobre as virtudes relativas da comédia e da tragédia pontua o filme, trazendo à tona um pouco do tumulto interno do próprio Woody Allen.

"Em termos emocionais, a comédia nunca terá o mesmo impacto da tragédia", disse o diretor à Reuters. "Você pode pegar as maiores comédias -- o impacto nunca será o mesmo que aquele que se tem quando terminam 'Um Bonde Chamado Desejo' ou 'Morte de um Caixeiro Viajante'. A comédia é apenas divertida."

Indicado 13 vezes ao Oscar de melhor roteiro original e seis vezes como melhor diretor, Woody Allen disse que desejaria se sair bem no registro trágico.

"Não me sinto tão à vontade fazendo coisas dramáticas", disse ele. "Mas essa é minha aspiração real, meu sonho secreto. Eu queria ter sido poeta trágico, em lugar de criador de frases divertidas."

"Por isso, sempre que tenho a oportunidade de fazer algo dramático, faço com paixão. Mas não me movo nesses círculos com a mesma desenvoltura de um Ingmar Bergman ou Tennessee Williams."

Aos 69 anos, Woody Allen ainda se move de maneira contundente no cinema e, embora diga que com a idade está ficando mais difícil criar papéis para ele próprio representar, ele não pretende diminuir seu ritmo de trabalho.

"Melinda and Melinda" é o 35o filme que Allen dirige desde sua estréia, em 1969, com "Um Assaltante Bem Trapalhão".

"Quando você termina um filme, você passa duas ou três semanas sem fazer nada, e depois o quê? Eu, pessoalmente, escrevo", disse ele. "Gosto disso. Começo a escrever e depois faço o filme. E assim começa tudo outra vez."

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