<i>Melinda e Melinda</i> marca o retorno de Woody Allen aos seus temas favoritos - histórias de amor, traição e as neuoroses dos moradores de Manhattan. Considerado seu filme mais substancial e satisfatório desde <i>Poucas e Boas</i>, de 1999, <i>Melinda e Melinda</i> usa um gancho simples que interliga duas versões da mesma história, o diretor criou um filme memorável com elenco no qual se destaca Radha Mitchell, especialmente convincente nos papéis duplos que movem a trama.
Em volta de uma mesa de restaurante, amigos discutem se a vida é essencialmente cômica ou trágica. Sy (Wallace Shawn), autor de comédias de sucesso, acredita que as pessoas gostam de rir para escapar da dor; Max (Larry Pine), que confia no poder da tragédia, argumenta que a vida é absurda. A título de exemplo, cada um conta uma história baseada numa anedota envolvendo uma pessoa que chega sem ser convidada. Desse ponto em diante, o filme alterna entre a comédia romântica de Sy e a saga trágica criada por Max sobre uma alma solitária. De quando em quando a narrativa retorna aos próprios contadores das duas histórias. ]
À medida que as histórias gêmeas vão se desenrolando, uma fazendo eco à outra, com momentos em que as duas quase se misturam, a linha que divide comédia e tragédia começa a parecer cada vez mais arbitrária.
O aspecto moral de Melinda lembra <i>Maridos e Esposas e Crimes e Pecados</i>, e a comédia impede o filme de mergulhar em território constantemente sombrio.
Nas duas histórias, a pessoa que chega sem ser convidada é Melinda (Radha Mitchell), uma mulher que não sabe bem o que fazer da vida. As contribuições técnicas são impecáveis, e as seleções musicais jazzísticas e clássicas, desde o suingue de <i>Take the 'A' Train</i> (clássico imortalizado pela orquestra de Duke Ellington) até a profundidade emocional de Bartok, estão perfeitas.