Rio de Janeiro, 14 de Maio de 2026

Win Wenders recebe prêmio e mostra filme em Locarno

Domingo, 07 de Agosto de 2005 às 11:41, por: CdB

Irene Bignardi, a diretora do Festival de Locarno, ex-crítica de cinema de La Republica, vai partir, mas antes, quis entregar três Leopardos de Ouro a cineastas de sua preferência. O primeiro é Wim Wenders, que também mostrou ontem na Piazza Grande seu último filme - Don´t Come Knocking.

O prêmio é em homenagem à totalidade de seus filmes, entre os quais se destacam Paris, Texas e Asas sobre Berlim, Palmas de Ouro em Cannes, em 1984 e 1987, e Der Stand des Dinge, Leão de Ouro de Veneza, em 1982. Hoje com 60 anos, Wim Wenders estudou primeiro a medicina e a filosofia antes de se diplomar pela Academia de Televisão e Cinema, de Munique.

Dois traços tornam reconhecíveis os filmes de Wenders - a solidão dos personagens e os grandes espaços nos quais se deslocam, ao que justa o questionamento introspectivo e da comunicação dentro da sociedade. É o mais americano dos cineastas alemães ou europeus.
No seu encontro com a imprensa, Wim Wenders contou que, no impacto da cultura americana sobre a alemã do pós guerra, foi aos EUA com a intenção de fazer filmes em Hollywood e se tornar americano.

- Logo, porém, percebi que nem uma nem outra coisa seriam possíveis, pois eu já era muito europeu. Sempre levei comigo uma parcela da Alemanha. Na verdade, mesmo os filmes que fiz nos EUA foram financiados por fundos europeus, exceto o primeiro  Hammet, razão de muita dor de cabeça com o estúdio que me encomendou - disse.

Sobre a atual onda de antiamericanismo, explica que, "no seu filme Land of Plenty, procurou diluir a imagem negativa americana, mostrando que o país não se resume como bom ou ruim".
Sobre seu último filme, no qual um ator cowboy retorna a Montana, sua cidade natal, depois de uma vida passada no vício, diz que "faz algum tempo, aprendeu a desconfiar dos cowboys, inclusive do que ocupa a Casa Branca":

- Tenho uma relação de amor-ódio com o cinema americano e com os EUA, enquanto sua cultura e sua política de dão medo algumas vezes. Mas acho que no cinema americano sempre houve duas correntes - a comercial e a independente. São dois universos independentes diante dos quais é preciso se decidir

Tags:
Edições digital e impressa