WikiLeaks revela que muitos prisioneiros de Guantánamo eram inocentes
Os jornais diários norte-americanos The New York Times e Washington Post, juntos com o espanhol El País publicam em suas páginas na internet, nesta segunda-feira, informação detalhada sobre o novo vazamento do WikiLeaks. O Departamento de Estado dos EUA reagiu prontamente às notícias.
Os jornais diários norte-americanos The New York Times e Washington Post, juntos com o espanhol El País publicam em suas páginas na internet, nesta segunda-feira, informação detalhada sobre o novo vazamento do WikiLeaks. O Departamento de Estado dos EUA reagiu prontamente às notícias. Em nota, divulgada pela manhã, afirma ser "infeliz que várias organizações midiáticas tenham tomado a decisão de publicar vários documentos obtidos de forma ilegal pelo Wikileaks relacionados com o centro de detenção de Guantánamo. Esses documentos contêm informação confidencial sobre detidos atuais e passados de Guantánamo e condenamos categoricamente o vazamento desta informação sensível", assinala o comunicado. Geoff Morrell, porta-voz do Pentágono, e Dan Fried, enviado do Departamento de Estado, assinam o comunicado conjunto.
Os EUA indicaram que os papéis do Pentágono incluem Expedientes de Avaliação de Detidos (DABs, na sigla em inglês) redigidos pelo Departamento de Defesa entre 2002 e começo de 2009. "Esses DABs foram escritos em função da informação disponível então", diz a resposta oficial. O comunicado ressalta que o Grupo de Trabalho de Revisão de Guantánamo, estabelecido em janeiro de 2009, considerou os DABs durante sua revisão da informação de detidos. O governo americano insiste que em algumas ocasiões o citado grupo de trabalho chegou às mesmas conclusões que os DABs, mas em outras houve divergências.
O comunicado destaca que o WikiLeaks não teve acesso às conclusões do grupo de trabalho e portanto os documentos obtidos "ilegalmente" podem representar ou não a opinião de um detido concretamente. Os EUA asseguram que tanto o Governo atual como o anterior fizeram todos os esforços a seu alcance para realizar com o máximo "cuidado e diligência" a transferência de detidos em Guantánamo.
O comunicado lembra que o governo anterior transferiu 537 detidos e o atual autorizou a mudança de 67. "Para ambos os governos a proteção de cidadãos americanos foi sua principal prioridade e nos preocupa que a divulgação dos documentos possa prejudicar esses esforços", afirma o comunicado. Segundo El País, os documentos do WikiLeaks revelam que o principal propósito da prisão era "explorar" toda a informação dos reclusos apesar da reconhecida inocência de muitos deles.
Cerca de 60% foram conduzidos à base militar sem ser uma ameaça "provável", afirma o jornal espanhol em sua edição digital, apontando que idosos com demência, adolescentes, doentes psiquiátricos graves e professores de escola ou fazendeiros sem nenhum vínculo com a jihad foram conduzidos ao presídio e misturados com verdadeiros terroristas como os responsáveis pelo atentado de 11 de setembro de 2001.
El País teve acesso às fichas militares secretas de 759 dos 779 presos que passaram pela prisão, dos quais cerca de 170 continuam detidos. O periódico destaca que os meandros da prisão foram recolhidos em 4.759 páginas assinadas pelos mais altos comandantes da Força Conjunta da base e dirigidas ao Comando Sul do Departamento de Defesa em Miami.
Dossiês
Os documentos, fornecidos pelo WikiLeaks, também mostram que cerca de um terço dos 600 detidos já enviados para outros países também foram considerados de "alto risco" antes de serem libertados e entregues à custódia de outros governos, afirmou a reportagem do Times. Os dossiês, preparados durante o governo Bush, ainda revelam a coleta de inteligência amadorística em zonas de guerra que levou ao encarceramento de inocentes durante anos em casos de identidade trocada ou simples azar, disse o jornal norte-americano.
Em sua maior parte, os documentos silenciam a respeito do uso de táticas duras de interrogatório em Guantánamo, que atraíram a condenação mundial. Dois anos atrás o presidente Barack Obama prometeu fechar a prisão na base naval em Cuba, que permanece aberta e em um limbo legal. Outras autoridades do governo Obama criticaram o vazamento dos documentos, mas disseram que o material está defasado.
Esta é a mais recente leva de documentos secretos dos EUA vazada pelo Wikileaks, que já havia liberado relatos confidenciais do Pentágono sobre as guerras no Afeganistão e no Iraque e 250 mil despachos do Departamento de Estado. O campo de detenção de Guantánamo foi aberto para abrigar prisioneiros capturados na guerra que o governo do presidente George W. Bush desencadeou no Afeganistão pouco após os ataques de 11 de setembro de 2001.
Bradley Manning, soldado de 23 anos acusado de ser a fonte dos documentos vazados pelo WikiLeaks, está detido desde maio do ano passado.
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