Rio de Janeiro, 15 de Fevereiro de 2026

Wall Street Journal critica política brasileira e a crise aérea

Quinta, 06 de Setembro de 2007 às 09:27, por: CdB

A polêmica envolvendo a construção de um hotel de 11 andares a 600 metros da pista de pouso do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, é tema de reportagem publicada nesta quinta-feira pelo diário The Wall Street Journal em suas edições para a Ásia e para a Europa.

A reportagem comenta que o hotel é um projeto de Oscar Maroni Jr., “distribuidor de revistas adultas que é dono do bordel mais comentado da cidade, o Bahamas, que fica ao lado do hotel”, e afirma que o empresário “é conhecido como o “Larry Flynt brasileiro, por causa da maneira como se gaba de seu apetite sexual, dizendo ter dormido com mais de 1.500 mulheres”.

“Agora o projeto do hotel está no centro de uma disputa amarga envolvendo não apenas costumes sexuais, mas também segurança aérea, uma questão ainda mais carregada de emoção no Brasil neste momento”, diz a reportagem, lembrando os dois grandes acidentes aéreos recentes.

O jornal relata que, após a última tragédia, ocorrida no aeroporto de Congonhas, “o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, com assessores e repórteres a tiracolo, chegou ao hotel com um mandado para suspender a construção e fechar o local”.

Reputação duvidosa

“Colocando barreiras de concreto na entrada, as autoridades prometeram que não deixariam a segurança aérea de São Paulo ser comprometida – certamente não por um hotel construído como um anexo a uma casa de reputação duvidosa”, diz o jornal.

O Wall Street Journal comenta que Maroni Jr. reclama de estar sendo transformado em um bode expiatório e alega que sua situação é legal. “Seus advogados dizem que a cidade não fez tanto barulho sobre as outras cerca de 200 estruturas citadas como obstáculos pela Força Aérea”, diz o texto.

O jornal diz que o debate sobre a segurança aérea gira em torno da pista de Congonhas. “A pista tem cerca de 1.900 metros, mas o espaço realmente disponível para o pouso é de somente 1.800 metros. Os prédios altos no entorno da pista de pouso impedem os aviões de pousar no seu início”, diz a reportagem.

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