Os analistas de Wall Street tinham apenas elogios sobre o governador paulista, Geraldo Alckmin, indicado nesta terça-feira pelo PSDB como candidato da legenda à Presidência da República nas eleições deste ano. Visto como o candidato mais pró-mercado na disputa presidencial brasileira, Alckmin deve enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no pleito de outubro, embora Lula ainda não tenha oficializado sua candidatura à reeleição.
Os analistas afirmam que não têm preocupação sobre um eventual segundo mandato de Lula, cuja política econômica agrada o mercado. Eles, no entanto, não esconderam sua preferência pelo candidato tucano e alegaram que um segundo mandato de Lula pode não ser tão produtivo para os mercados financeiros como foi o primeiro.
- Achamos que Alckmin é provavelmente o melhor candidato para o Brasil de uma perspectiva de mercado, de uma perspectiva de reforma - disse Gianfranco Bertozzi, estrategista para mercados emergentes do Lehman Brothers, em Nova York, para jornalistas da agência inglesa de noticias Reuters.
Alguns analistas disseram que a indicação de Alckmin pode dar ao mercado uma situação em que sairá ganhando independente do vencedor.
- O mercado está tranqüilizado pelo fato de que agora é uma disputa entre Lula e alguém que eles também acham que será responsável com a economia. Então é quase um resultado muito positivo de qualquer jeito - disse Vitali Meschoulam, analista para América Latina da HSBC Securities.
Alckmin ganhou na terça-feira a queda de braço com o prefeito de São Paulo, José Serra, que também disputava a indicação e aparece com mais chances de vencer Lula segundo as últimas pesquisas de opinião.
"Na nossa visão, esse resultado é positivo. Serra é visto pelos mercados como um gerente micro. Alguém que é um administrador eficiente, mas que também, estando certo ou errado, é visto pelo mercado como muito intervencionista", escreveu Nuno Câmara, economista para a América Latina do Dresdner Kleinwort Wasserstein, em um relatório.
Os analistas esperam que a posição de Alckmin nas pesquisas melhore, uma vez que, tornando-se o candidato oficial do PSDB, sua exposição na mídia deve aumentar.
Outra vantagem que favorece o governador de São Paulo é de que, até o momento, não foi feita nenhuma acusação contra o seu governo, enquanto Lula tem que lidar com uma série de escândalos.
"Embora esteja atrás do atual presidente Lula nas pesquisas, o governador Alckmin é, em grande escala, uma cara nova e imaculada na política o que, no contexto de um cenário político manchado por uma série de escândalos de corrupção, pode se tornar uma importante vantagem", disse o analista do Goldman Sachs, Alberto Ramos, em um relatório.
"Seus principais ativos na disputa são a baixa taxa de rejeição e o que é visto como um grande potencial de crescer nas pesquisas, uma vez que a campanha presidencial começa em agosto", acrescentou.
Os mercados financeiros do Brasil ficaram em terreno positivo na terça-feira, em parte por causa da indicação de Alckmin, segundo analistas. Alguns profissionais afirmam que os mercados podem voltar a subir caso Alckmin apareça ganhando espaço em pesquisas de opinião futuras.