Rio de Janeiro, 13 de Maio de 2026

Waldomiro Diniz participará de acareações

Segunda, 15 de Agosto de 2005 às 08:16, por: CdB

O ex-assessor da Casa Civil da Presidência da República, Waldomiro Diniz, deverá depor na Comissão Parlamentar de Inquérito dos Bingos pelo menos por mais três vezes. Isso porque, diante de tantas informações desencontradas vindas de depoentes que falaram até agora na CPI, a presidência do colegiado, na tentativa de acelerar os trabalhos e esclarecer os fatos, resolveu usar o instrumento da acareação para elucidar acusações mútuas entre pessoas e empresas supostamente envolvidas em atos de corrupção.

Provavelmente serão colocados em votação, já na próxima quarta-feira, antes dos depoimentos de Valderi Albuquerque, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, e de Mário Haag, ex-vice-presidente da Caixa, marcados para as 11h30, requerimentos propondo a realização de três acareações com Waldomiro Diniz. Já existe um consenso entre os membros da CPI para que as propostas sejam aprovadas por unanimidade.

A primeira acareação será com Marcelo Rovai - ex-diretor da Gtech do Brasil e que acusou Waldomiro de ter intermediado o contrato entre a empresa e a Caixa; a segunda será com Rogério Tadeu Buratti - acusado por Rovai de ter exigido propina no valor de R$ 6 milhões para garantir a renovação do contrato com a Caixa, além de uma terceira acareação entre Waldomiro, Rovai e Buratti.

O presidente da CPI dos Bingos, senador Efraim Morais (PFL-PB), acredita que essas acareações só terão peso e irão contribuir de fato com os trabalhos do colegiado se Waldomiro Diniz comparecer à comissão sem qualquer tipo de proteção judicial. Na quinta-feira passada, ele depôs na CPI amparado por um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que lhe garantiu o direito de não ser preso e de ficar calado diante de perguntas que poderiam incriminá-lo mais tarde em processos judiciais.

A secretaria da CPI informa que, ao longo da próxima semana, deverão chegar à comissão novos pedidos de quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico de pessoas e empresas envolvidas em denúncias sobre a utilização de casas de bingo na prática de crimes, entre eles o de lavagem de dinheiro. Para analisar toda a documentação, a CPI conta com a ajuda de um perito da Polícia Federal e de um assessor técnico da Receita Federal.

Nesta terça-feira, a CPI realiza reunião administrativa. Na quarta-feira, ouve os ex-dirigentes da Caixa Valderi Albuquerque e Mário Haag. Na quinta-feira, colhe depoimentos de Paulo Bretas, ex-vice presidente de Logística da Caixa, e de Carlos Cartell, ex-superintende de projetos, também da CEF.

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