Em entrevista à revista "Época" que chegou às bancas nesta sexta-feira, o presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, afirmou que o PL apoiou Lula nas eleições de 2002 em troca de R$ 10 milhões, que seriam usados em despesas de campanha do PL.
Segundo Costa Neto, Lula não participou da reunião para fechar o acordo milionário, mas estava na sala ao lado e sabia de tudo. O vice-presidente, José Alencar, é do PL e Valdemar Costa Neto, que renunciou ao mandato de deputado federal no último dia primeiro, é acusado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de ter recebido "mensalão" para apoiar o governo Lula. Foi a primeira entrevista de Costa Neto depois da renúncia.
As reuniões para negociar o apoio do PL ao PT, segundo o deputado, aconteciam, em Brasília e sempre tinham a presença de Delúbio Soares (ex-tesoureiro petista) e de João Paulo Cunha (deputado federal pelo PT).
O acordo, segundo Costa Neto, demorou a sair porque o PL queria R$ 20 milhões e o PT oferecia menos. Participaram da reunião definitiva, em que os partidos chegaram a um consenso, José Dirceu, Delúbio Soares e o próprio Valdemar - Lula e José Alencar teriam ficado na sala ao lado esperando. A reunião teria acontecido no apartamento do deputado Paulo Rocha (PT-PA).
Valdemar Costa Neto afirmou ainda que o dinheiro demorou a chegar ao PL e só veio no início de 2003. Delúbio Soares teria orientado Costa Neto a ir até a SMPB (agência do empresário Marcos Valério) receber parte do pagamento.
O tesoureiro do PL, Jacinto Lamas, foi até a SMPB e trouxe um envelope com cheques que totalizavam R$ 800 mil. Segundo Costa Neto, depois os cheques foram trocados por dinheiro vivo, que vinha dentro de malas. O procedimento se repetiu "duas ou três vezes" e totalizou R$ 3,2 milhões.
O restante do dinheiro, que somava R$ 6,5 milhões, segundo Costa Neto, foi sacado em agências do Banco Rural. "Não chegou aos R$10,8 milhões que estão falando. Estão botando R$ 4 milhões a mais na minha conta", disse à revista.